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A GUISA DE UMA APROXIMAÇÃO: ASPECTOS SOBRE
OS SONHOS NAS PERSPECTIVAS PSICANALÍTICA E
FENOMENOLÓGICA‑EXISTENCIAL
AS AN APPROACH: ASPECTS ABOUT DREAMS FROM PSYCHOANALYTIC AND
PHENOMENOLOGICAL-EXISTENTIAL PERSPECTIVES
Lucas Gabriel de Lima Serra1, Luciana Bastos Neiva2
1ST JULY JULHO  31ST DECEMBER DEZEMBRO 2026 • PP. 99119
DOI: https://doi.org/10.26619/2183-4806.XXII.2.4
Submited on 08-05-2025 Submetido a 08-05-2025
Accepted on 18-06-2026 Aceite a 18-06-2026
Resumo
Este artigo tem como seu objetivo encontrar pontos de convergência e divergência entre as
concepções da psicanálise e da fenomenologia-existencial em relação aos fenômenos oníricos.
Para isso foi revista a literatura psicológica das duas vertentes teóricas, levando em consideração
as obras de Freud e Sartre, realizando uma comparação de alguns pontos entre os dois trabalhos,
como os conceitos deslocamento e condensação na primeira, e o de consciência imaginante e
consciência perceptual na segunda. O que foi possível concluir é que, embora as duas teorias
tenham diferenças significativas, ambas reconhecem que os sonhos desempenham um papel
importante na tentativa do sujeito de lidar com a realidade, onde ambas consideram os sonhos
como uma forma de satisfação parcial para os desejos psíquicos, bem como o que afasta as duas
concepções é justamente o caráter inconsciente que a psicanálise traz, se opondo a afetividade e
consciência que propõe a fenomenologia-existencial.
Palavras-chave: Sonhos; Psicanálise; Fenomenologia-existencial; Freud; Sartre.
Abstract
This article aims to find points of convergence and divergence between the conceptions of
psychoanalysis and existential-phenomenology in relation to dream phenomena. To this end,
the psychological literature of the two theoretical currents was reviewed, taking into account
the works of Freud and Sartre, making a comparison of some points between the two of them,
1 Graduando em Psicologia na Faculdade Anhanguera, da cidade de Jacareí – São Paulo, e-mail: lucas.gserra2403@gmail.com
ORCID: https://orcid.org/0009-0001-8329-4715. ORCID: https://orcid.org/0009-0001-8329-4715
2 Mestre em Filosofia pela UFMG, pós-graduada em Clínica Psicanalítica pela PUC Minas, graduada em Psicologia pela mesma
instituição e professora do curso de Psicologia na Faculdade Anhanguera. E-mail: lucianabastosn@hotmail.com
ORCID: https://orcid.org/0000-0001-9906-6584.
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such as the concepts of displacement and condensation in the first, and that of imaginative
consciousness and perceptual consciousness in the second. What was possible to conclude is
that, although the two theories have significant differences, both recognize that dreams play
an important role in the subject’s attempt to deal with reality, where both consider dreams as
a form of partial satisfaction for psychic desires, as well as what separates the two conceptions
is precisely the unconscious character that psychoanalysis brings, opposing the affectivity and
consciousness that existential-phenomenology proposes.
Keywords: Dreams; Psychoanalysis; Existential-phenomenology; Freud; Sartre.
Introdução
Esses sonhos, sonhos doentios, ficam sempre gravados na memória por muito tempo
e produzem uma forte impressão no organismo enfraquecido e alterado do homem.
(Crime e Castigo)
Fiódor Dostoiévski
Os sonhos têm sido alvo de curiosidade e fascínio no decorrer da História por serem parte
fundamental da vida humana. Platão, em seu livro “Teeteto” (369 a.C), narra um diálogo platônico
sobre a natureza humana, onde é levantado um pequeno debate sobre as imagens oníricas, pro-
curando a semelhança e a diferença entre o mundo em vigília e o mundo do sono (Platão, 2010,
p. 217).
Já nos séculos XIX e XX, com a imposição e o avanço do conhecimento científico, técnico e
psicológico, os sonhos se tornaram alvo de estudos. Esse movimento histórico e material culmina
no lançamento do livro “A interpretação dos sonhos”, em 1900, obra escrita por Freud, que contri-
buiu para o avanço e a disseminação da psicanálise.
A psicanálise, porém, não se mostra a única abordagem psicológica a tratar da natureza dos
sonhos. A abordagem fenomenológico-existencial também se ocupa dessa questão, embora, o
material sobre tal assunto seja pouco disseminado no meio acadêmico. Sartre (1905-1980), dis-
corre sobre o fenômeno dos sonhos mais profundamente em seu livro “O imaginário”, de 1940.
Mesmo mantendo críticas à psicanálise, Sartre (1943) identifica pontos em comum entre as duas
linhas de pensamento:
Somente uma escola partiu da mesma evidência originária que nós: a escola freudiana.
Para Freud, como para nós, um ato não pode limitar-se a si mesmo: remete imediata-
mente a estruturas mais profundas. E a psicanálise é o método que permite explicitar
tais estruturas. (p.565)
Portanto, a proposta deste trabalho é propor aproximações possíveis, bem como as particula-
ridades, entre as duas teorias em relação ao fenômeno do sonhar. Mesmo que haja certas diferen-
ças conceituais entre a psicanálise e a fenomenologia, é a busca pelo significado, uma interpre-
tação da psique, que aproxima as duas teorias, indo de um sentido manifestado, ao qual aparece
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a consciência, para um sentido latente, dizendo da essência neste sentido, a coisa mesma, aquilo
que se é (Raffaeli, 2006).
O sonho como manifestação Inconsciente
Para dar início ao debate, é imprescindível compreender o funcionamento e a natureza dos
sonhos sob o ponto de vista freudiano. A condição do pensamento psicanalítico é o inconsciente,
e o sonho é uma das importantes vias de acesso a ele. Sendo assim, os sonhos dizem dos desejos
inconscientes, bem como outras formações e manifestações estudadas pela psicanálise.
Ao se encontrar em um estado adormecido, os mecanismos de repressão do aparelho psíquico
se “enfraquecem”, permitindo que algumas pulsões sejam liberadas durante o sono, os desejos e
fantasias inconscientes do sujeito que não se encontra em vigília. Partindo disso, Freud formula
que os sonhos se constituem de um conjunto de fatores, como as sensações durante a noite, os
restos diurnos e os desejos inconscientes (FREUD, 1916/1917 p.306). Embora seja interessante
notar que, para Freud, não apenas os desejos inconscientes regem os sonhos, como ele mesmo
esclarece no capítulo VII de “A interpretação dos sonhos”, mas também desejos conscientes que,
com a devida potência e força, evocam outros desejos, estes sim inconscientes, de mesmo teor,
onde encontra mais força.
O que rege e movimenta os sonhos e a fantasia são os desejos e pulsões, outrora reprimidos
no inconsciente, como aponta Costa (2006):
O desejo surge como motor do sonho e da fantasia e, nesse sentido, não tem, por princí-
pio, correspondência na realidade material. Assim, o desejo precisa permanecer indes-
trutível, como dizia Freud, irrealizado, representando o impossível, sendo a força motora
da fantasia. (COSTA, 2006, p.15)
A satisfação pulsional é sempre parcial. Os sonhos são mais um tipo de formação e manifes-
tação inconsciente para atingir essa satisfação parcial. A forma como o sujeito alcança a satis-
fação parcial das pulsões depende de um objeto que não esteja originalmente ligado a ele, mas
precisa ser criado, já que não há um objeto adequado que possa satisfazê-lo (EIZIRIK, 2009). É o
próprio desejo que delimita o objeto através do movimento em torno de um vazio. A falta de um
objeto adequado à pulsão faz com que suas voltas em torno do vazio sejam uma tarefa nunca con-
cluída, mas sempre reiniciada. Uma vez que a satisfação é alcançada através do próprio desejo,
pelo movimento em si, a pulsão, ao mesmo tempo, alcança sua satisfação e cria seu objeto, que é
nada mais do que o objeto que causa o desejo.
Deste modo, um outro conceito importante, que não se pode ignorar aqui é a realidade psí-
quica, definida por Freud (1900, p.607) como a realidade interna do sujeito, se diferenciando da
realidade factual e objetiva. É a forma como o sujeito introjeta a realidade e se apropria dela,
como ele percebe sua realidade. Levando em consideração os desejos inconscientes, expressos
em sua forma mais pura e original, podemos concluir que a realidade psíquica é um modo de
existência especial do sujeito, é uma interpretação de mundo particular do sujeito, o que torna os
processos oníricos experienciados e a narrativa do sujeito sobre eles, única. Devido a isso, o que
aparece nos processos oníricos não são literalmente o que se apresentam, pois não tem ligação
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direta com a realidade material, com o mundo real por assim dizer. As imagens que vemos nos
sonhos, passam por mecanismos e processos de censura dos nossos desejos e pulsões, transfor-
mando-os em conteúdo latente e conteúdo manifesto, onde os processos de repressão/censura
são respectivamente a condensação e o deslocamento.
A condensação diz de imagens, elementos ou significados condensados, compactados pre-
sentes no sonho, uma formação onde uma mesma imagem representa diversos conteúdos laten-
tes e se acha, assim, sobre determinada em seu significado (FREUD, 1900). A condensação tem, às
vezes, lugar por incorporação de elementos ou detalhes de outros conteúdos mentais à imagem
central, obtendo-se, assim, uma figura que se assemelha às fotografias compostas de Francis Gal-
ton (1822-1911), onde o mesmo sobrepunha fotografias de várias pessoas, formando uma figura
ambígua, podendo remeter a uma pessoa ou outra.
Não é raro, por exemplo, que uma mesma pessoa vista no conteúdo onírico ofereça traços
que recordem sucessivamente os de vários parentes ou amigos. Para Freud, é justamente este
processo que causa a sensação de estranheza do sonho:
Ela [condensação] é a principal responsável pela impressão de estranheza do sonho, pois
não se conhece algo que lhe seja análogo na vida psíquica normal e acessível à consciên-
cia. Nesta temos também representações que, sendo pontos nodais ou resultados finais
de cadeias inteiras de pensamentos, possuem grande importância psíquica, mas esse
valor não se manifesta em nenhuma característica compreensível, patente para a per-
cepção interna; por isso, o que nelas é representado não se torna mais intenso de maneira
nenhuma. (FREUD, 1900, p.593)
Portanto, a condensação é a sobreposição de conteúdos que podem ser associados e esta-
belecem uma analogia entre si. Funde elementos que estão à nível latente com traços parecidos
em um só conteúdo. Estabelece uma relação entre o conteúdo manifesto, onde se estabelecem
as imagens do sonho, e o conteúdo manifesto possui as ideias, seu significado, ou também, sua
essência.
O deslocamento por sua vez ocorre em certas situações quando a representação e o signifi-
cado de outras imagens estão coincidentemente relacionados com aquela imagem. No desloca-
mento, a imagem menos interessante do conteúdo manifesto passa a ser portadora da ideia cen-
tral do conteúdo latente, como nos romances policiais, onde o autor do crime é sempre o menos
suspeito. Como argumenta:
O efeito desse deslocamento é que o conteúdo do sonho não se parece mais com o núcleo
dos pensamentos oníricos, que o sonho apenas reproduz uma deformação do desejo oní-
rico no inconsciente. [...] Podemos presumir que o deslocamento do sonho ocorre pela
influência daquela censura, da defesa endopsíquica. (FREUD, 1900, p. 325)
É comum que muitas dessas memórias recentes do cotidiano ou os “restos diurnos” (Freud,
1900, p.66) interfiram nos sonhos que aparentemente não têm sentido, mas se tornam repre-
sentantes do significado latente do sonho durante a narrativa do sujeito sobre o acontecimento.
O deslocamento é a obra da censura, onde o conteúdo latente é substituído por um dos seus
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fragmentos constituintes. Há uma transferência da importância que tem uma ideia para outra
completamente diferente e afastada dela.
Se faz necessário, portanto, compreender que as imagens oníricas são uma formação
inconsciente e que se expressam através do relato daquele que sonha, este nomeado de con-
teúdo manifesto, ou seja, aquele que se mostra através das imagens sonhadas. Já o conteúdo
latente se apresenta como uma intencionalidade original inconsciente, muitas das vezes, com
conteúdos de origem libidinal/sexual aos quais sendo considerados “inapropriados” diante
da sociedade podem ter sido recalcados. É importante frisar que uma teoria é apresentada
perante a sociedade de sua época, ou seja, fim do século XIX e início do XX no leste euro-
peu, em que Freud estava expondo essas ideias no círculo médico tradicional, eram ambientes
marcadamente repressores da sexualidade e dos movimentos libertários em alguma medida.
Quando apresenta os sonhos de crianças pequenas, que foram alvo de estudos de Freud, ele
aponta essa intercessão:
Os sonhos das crianças pequenas são, frequentemente, a simples realizações de desejos,
e assim, ao contrário dos sonhos dos adultos, pouco interessantes. Não oferecem enigmas
que precisam ser solucionados, mas são, naturalmente, inestimáveis para provar que o
sonho significa, em seu ser mais íntimo, uma realização de desejo. (FREUD, 1900, p.153)
No entanto, será que os sonhos infantis não demonstram enigmas a serem decifrados? Freud
explica fazendo uso da compreensão do princípio da realidade. Um princípio de regulação psí-
quica que impõe uma procura de satisfação por meio de desvios e substituições (GARCIA-ROZA,
1984). Durante o seu desenvolvimento, a criança se depara com um conflito entre seu desejo e
as determinações da sociedade. Esta interação com o passar do tempo leva a construção dos
modos de censura. As crianças ainda estão se submetendo a uma socialização e, portanto, a uma
supressão daquilo que é ou não aceito socialmente. Com isso, o argumento de Freud caminha no
sentido de seus sonhos terem a tendência a ser mais “puros”, menos enigmáticos e que, ainda,
não se usam de métodos para “burlar” as normas sociais ou se sentirem culpados pelos próprios
desejos que são estabelecidos como aceitos ou não pela exigência da civilização.
Portanto, algo que podemos notar que está no centro do pensamento de Freud é a necessi-
dade de satisfazer nossas pulsões e a contraposição do princípio da realidade. A força de nos-
sos desejos se deparam com a perspectiva de realidade que nos impede de realizar todas exi-
gências pulsionais por completo, ao qual todos estamos presentes, tentando de alguma forma
alterá-lo ou ignorá-la, vindo então uma frustração, uma insatisfação com esta realidade pre-
sente onde não se consegue satisfazer inteiramente o desejo. Não obstante, como argumenta
Forrester (2006), não surpreende que o pensamento psicanalítico visa os sonhos como a reali-
zação de um desejo.
O sonho como manifestação imaginante
Então, ao considerar as questões propostas por Freud, como se pode pensar em uma apro-
ximação com uma escola de pensamento filosófica? Levanta-se aqui a afinidade com a base
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filosófica de Sartre. Algo que se pode notar dentro do pensamento fenomenológico é que o fenô-
meno não aponta para nada, se não para si mesmo. Segundo Sartre:
O fenômeno não indica, como se apontasse por trás de seu ombro, um ser verdadeiro
que fosse, ele sim, o absoluto. O que o fenômeno é, é absolutamente, pois se revela como
é. Pode ser estudado e descrito como tal, porque é absolutamente indicativo de si mesmo.
(Sartre, 2011, p.16)
Sendo assim, o método de interpretação fenomenológico se distancia em parte do psicana-
lítico pois visa o fenômeno como ele aparece à consciência, e a partir dele mesmo encontrar seu
significado. Ao passo de que a psicanálise procura uma forma de interpretação baseada em uma
estrutura subjacente, ou latente, em cada fenômeno.
Sartre explicita a forma como a consciência visa a realidade em dois modos: o perceptual e
o imaginante. O primeiro apresenta como a consciência visa o objeto no mundo real, percebendo
como ele é, sendo dotados de uma temporalidade e uma espacialidade, se mostrando de múlti-
plas perspectivas e sendo eleito pela consciência intencional para onde orientar sua “visão”. O
modo imaginante, por outro lado, visa um objeto irreal, onde não é percebido, mas imaginado,
não tendo uma temporalidade nem espacialidade, sustentando a autonomia e espontaneidade da
consciência como forma de negação do mundo real (SARTRE, 2019, p.38).
De acordo com Sartre (2019) toda consciência é consciência de alguma coisa, mas como se
dá esta afirmação no fenômeno onírico? O autor argumenta que há uma diferenciação do estado
de vigília e o estado adormecido, sendo que quando se está acordado, não há dúvidas de que se
percebe algo, porém no sonho, se acredita perceber.
Afirmar: Estou percebendo é negar que estou sonhando, ou, se quisermos, é uma motiva-
ção suficiente e necessária para que eu afirme que não estou sonhando. Mas, se o sonho
afirmasse que ele é percepção do mesmo modo e com a mesma certeza que a percepção,
o julgamento “estou percebendo” seria apenas provável e deveríamos, mais uma vez,
apoiá-lo na comparação entre os objetos percebidos, na coesão das cenas vistas, em sua
verossimilhança etc. (SARTRE, 2019, p.291).
Uma consciência imaginante compreende um saber, uma intenção, podendo compreender
palavras e julgamentos, sendo estes julgamentos as decisões. As imagens, portanto, visam pro-
duzir os objetos do sonho, é uma maneira de julgar e sentir, sobretudo, é uma função simbólica,
a função de expressão de um significado próprio do indivíduo. Justamente, por possuir esse sig-
nificado particular, a consciência imaginante possui uma característica afetiva. A afetividade é
um fator importante a ser considerado, visto que toda percepção é percepção de alguma coisa
e todo sentimento é sentimento de alguma coisa, visando assim o seu objeto, e projeta nele uma
determinada qualidade.
A imaginação teria, como seu direcionamento, negar a realidade imediata e projetar um
mundo fantasioso, onde seria possível uma forma de realização de suas intenções, ou propria-
mente ditos, seus desejos existentes. Frankl (1991) nos traz um exemplo onde prisioneiros de
guerra dão o relato de ter uma dada tendência de criar um mundo fictício, onde situações simples,
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como um tempo de lazer com a família, são vivenciados, experienciados como forma de escapar
ao sofrimento presente, e tal exemplo contribui para sustentar o argumento do conceito do modo
imaginante proposto por Sartre. É possível traçar até mesmo um paralelo na literatura contem-
porânea, mais precisamente, em Sandman (1989-1996), história em quadrinhos publicada em
uma série de livros do autor Neil Gaiman. Na narrativa, o personagem Morpheus, o guardião dos
sonhos, profere a seguinte frase: “Indague-se… Na verdade, indaguem-se todos vocês. Que poderes
o INFERNO teria se aqueles aqui confinados NÃO fossem capazes de sonhar com o PARAÍSO?”, elo-
cução esta que contribui para rememorar que o modo imaginativo faz parte inclusive da projeção
de futuro e possibilidade de ressignificar sofrimentos e situações vividas.
Os sonhos, uma forma de existência tal qual a vida desperta, são um fenômeno de quase
observação, onde a consciência perceptiva se prende e acredita observar no que percebe. Se
mostra como produto da consciência, negando sua realidade imediata sendo seu propósito básico
criar uma outra realidade de possibilidades ainda não acessíveis, visando uma realidade mais
agradável a si mesmo. Uma certa satisfação, ou mesmo, uma forma de fugir da realidade que se
mostra desagradável ao ser. Este caráter criador da consciência é argumentado por Sartre (1940)
onde esta qualidade se mostra operando de forma harmoniosa em conjunto das outras consciên-
cias3, onde mesmo um objeto não sendo real, garante sua homogeneidade, como o autor ilustra, é
como se fossem ondas em meio a mais ondas.
Num mundo imaginário, não há sonho de possibilidades, uma vez que as possibilidades
supõem um mundo real, a partir do qual são pensadas como possibilidades. A consciên-
cia não pode tomar uma distância em relação às suas próprias imaginações para imagi-
nar uma sequência possível para a história que está representando: isso seria o desper-
tar. (SARTRE, 1940, p. 303).
Com isso, é possível compreender o caráter de fascínio que a consciência perceptual age em
conjunto à consciência imaginante, pois acredita haver algo a se perceber.
A consciência perceptual se coloca em posição de telespectador, estando fascinado com a
realidade criada pela consciência imaginante, estando de certa forma com a atenção presa aos
eventos que ocorrem no sonho, mas, pode interferir no sonho, como no caso de um pesadelo, ou
sonhos onde são provocadas emoções reais, é aí que a consciência perceptual age para dar conta
desta emoção, com isso, despertando do sonho (Santos, 2008). Assim, o que se mostra no sonho é
acreditado pela consciência, porém, sendo um objeto irreal. É atraído pelo irreal, pelo fantasioso.
Ainda nesta perspectiva sartreana, chegamos ao método de interpretação dos sonhos. Em
sua obra de notável importância para a história da filosofia, “O Ser e o Nada” (1943), Sartre pro-
põe em seu último capítulo uma base do que seria uma abordagem psicológica, baseado em sua
filosofia existencialista, a denominando de psicanálise existencial. Tal abordagem se atenta em
levar o analisando a regredir em sua história de vida, buscando o sentido de seu projeto original,
sendo ele a base de todos os outros projetos de existência do indivíduo. O projeto original seria
3 Com outras consciências refere-se aqui a outros níveis de consciência, e não como se fosse uma “seção” à parte,
em que cada uma se separasse.
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aquele que vem como uma junção de todos os desejos, anseios e escolhas que são adotadas na
vida do indivíduo, é seu projeto de ser e a busca por sua essência (Sass, 2016).
Sendo assim, Santos (2008) propõe ao terapeuta de orientação Fenomenológica-existencial,
aproximar o paciente das experiências manifestadas no contato com o material onírico, sendo a
própria análise do relato uma forma de observar elementos importantes sobre a vida do sonha-
dor. Ainda explica que a vivência da experiência, ou seja, a vivência das imagens do mundo
dos sonhos permite compreender a intenção da consciência que as criou no mundo da vigília.
A função do terapeuta, nesse sentido, é ajudar o paciente a retroceder em sua história pessoal
até atingir o sentido de seu projeto original. Consequentemente, permitir que o sonho se revele
como ele é, e trazê-lo para o mundo real, segundo este autor, equivaleria a revelar a intencionali-
dade contida no imaginário, a descobrir outros significados presentes na existência do sujeito. O
sonho, portanto, direciona para a existência do sujeito em totalidade.
A visão daseinsanalítica, a qual se fundamenta de conceitos explicitamente existenciais
e fenomenológicos, o sonho não se diferencia muito da visão sartreana, visto que Boss (1979,
apud SANTOS, 2004) sustenta que o sonho é uma forma de existência que está lado a lado com a
vida em vigília, tendo em si de forma inerente uma espacialidade, temporalidade, historicidade
(enredo) e uma corporeidade. Portanto, tanto o sonho como a vida desperta são modos diferentes
de se guiar a realização de uma mesma existência humana ao longo de sua história.
Em última análise, a tarefa seria a de explorar o sonho da mesma forma ao qual foi sonhado,
sem buscar uma interpretação, procurando um conteúdo latente do sonho (BOSS, 1979, Apud
SANTOS, 2004). A partir disto, seria necessário analisar o que apareceu e o que não apareceu em
seu sonho, buscando as possibilidades que o sujeito está aberto ou fechado em sua existência, a
ponto de terem adentrado, ou se ausentado, no sonho, buscando uma analogia com seu mundo
real na vida desperta.
Então, a próxima etapa seria investigar como o sujeito se dirige em relação ao que ele expe-
riencia no sonho. O trabalho de interpretação do conteúdo onírico seria levar o indivíduo a uma
consciência de sua existência pelas relações de semelhanças vindas do conteúdo onírico e a sua
vivência ao longo de sua história.
Portanto, na visão fenomenológica-existencial, do modo como foi apresentado aqui, os sonhos
podem ser usados para uma compreensão do indivíduo em sua totalidade, sendo possível uma
aproximação entre os eventos e manifestações ocorridas no sonho e sua própria vida desperta,
contribuindo para seu ser-no-mundo.
Divergências e aproximações
Os sonhos se mostram como um fenômeno a ser decifrado e estudado nas mais variadas
maneiras possíveis, desde as concepções psicológicas e psicanalíticas, até mesmo as neurocien-
tíficas. Compreendê-lo e, mais ainda, como a mente opera para que estas manifestações possam
aparecer e produzi-lo, é o princípio para podermos descrever de que forma esse fenômeno se
revela, dentro de nós e sobre nós.
É possível notar um ponto chave de encontro entre as duas teorias a respeito do fenômeno
onírico, é justamente a possibilidade de sua interpretação, a prática de uma exegese através do
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A guisa de uma aproximação: aspectos sobre os sonhos nas perspectivas psicanalítica e fenomenológica‑existencial
relato dos fenômenos que emergem a partir do despertar do sujeito, de certa forma, latente e
inerente ao fenômeno.
Para tanto, havemos de fazer algumas considerações entre os dois pontos de vista teóricos
aqui. Não há dúvida que a linha fenomenológica e a psicanalítica são distintas em seu modo
de apreensão das formações dos sonhos, porém, é possível traçar uma comparação entre como
os conteúdos do sonho para as duas perspectivas. Para a fenomenologia de Sartre, a consciên-
cia perceptual visa os conteúdos e objetos presentes no sonho, o que se pode aferir também em
Freud, através do conceito de conteúdos manifestos. De modo análogo, o conteúdo latente, aquele
que está submerso às imagens e os desejos presentes no sonho, se aproximam da visão sartreana
na medida que o caráter imaginário da consciência se mostra como criador e realizador das
intenções do Ser.
O ponto, entretanto, que diferencia potencialmente estas ideias é o caráter inconsciente do
sonho. A palavra “consciência” imaginativa, presente nas elucidações da teoria fenomenológica-
-existencial, pode incitar o pensamento de se aproximar de uma ideia de “saber sobre o desejo”,
até mesmo no conceito de “projeto original”. Como mencionado, Sass (2016) aponta que o pro-
jeto original seria aquele que vem com um agrupamento de desejos e escolhas que são adotadas
durante a vida do indivíduo, ou seja, que dizem de uma determinação da vontade e eleição do seu
projeto de ser. Esse ponto diverge radicalmente da psicanálise, no sentido das pulsões serem ori-
ginalmente recalcadas e reprimidas por vivermos em sociedades com restrições sociais e morais
fortes, onde nossos desejos são rechaçados e julgados como anômalos. Buscar um projeto origi-
nal no sentido de resgatar as pulsões poderia culminar então num aniquilamento do sujeito ou
em sua exclusão social e enlouquecimento. O projeto original, não diz de um desejo instintivo
e pulsional, mas de um projeto que busca um “sentido”. Por sua vez, a realização da existência
diz não necessariamente de uma satisfação de um desejo, mas sim de uma concretização de sua
autenticidade.
Outro tópico proveniente da psicanálise que parece estar intrinsecamente ligado à fenome-
nologia é a proposta do conceito de realidade psíquica. Relembrando, é o modo de interpreta-
ção que o sujeito/indivíduo faz da realidade e a introjeta para si, sendo para a fenomenologia
a forma como a experiência é vivida pelo indivíduo (SILVA, 2008). Salvaguardando as devidas
diferenças, para a psicanálise, a realidade psíquica conta com certa participação de uma apro-
priação pela fantasia, em que são postos ali seus desejos inconscientes, cuja satisfação completa
foi frustrada, pois as pulsões são apenas parcialmente satisfeitas (ROUDINESCO, 1998). Porém, se
faz necessário distingui-la, entre as fantasias inconscientes e conscientes: as duas se encontram
ligeiramente ligadas no processo dos sonhos, porém as conscientes participam na organização
do conteúdo manifesto, enquanto as inconscientes se inserem na origem do conteúdo dos sonhos,
a parte latente.
Já na visão fenomenológica os sonhos são produtos da consciência imaginante, a qual se con-
duz em negar a realidade presente e imediata nas imagens oníricas. O que se vê no conteúdo
onírico, se origina de uma intenção, um “desejo” da ordem de uma aspiração – diferente daquele
proposto pela teoria psicanalítica – , ao qual se coloca a ser experienciado e vivido, como meio
de consumar suas vontades e intenções conscientes.
A psicanálise, no entanto, não compreende os sonhos como uma forma de negação da rea-
lidade, mas o inverso. É a realização de um desejo inconsciente, a busca de satisfação de uma
pulsão, as quais foram mascaradas pelos processos de condensação e deslocamento, por serem
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de origem libidinal sexual ou infantil (FREUD, 1900 p.223). Estas pulsões e desejos não são acei-
tos na sociedade que se encontram, por isso se encontram rechaçados e reprimidos, sendo assim
mascarados para que possam ser manifestados pelo inconsciente, para que possam aparecer à
consciência devem obedecer a essas exigências impostas. Sendo esta a perspectiva da formação
dos sonhos sob a ótica psicanalítica.
Sendo assim, é possível constatar que uma concepção se opõe a outra, porém se mostram
próximas na medida em que o desejo, na psicanálise, só é reprimido por não ser aceito em sua
realidade, socialmente ou moralmente, tornando a realidade material insatisfatória.
Em última análise, o conteúdo dos sonhos é formado para, de certa forma, negar uma reali-
dade imediata que se mostra desprazerosa e limitante, que nos impede de realizar nossos dese-
jos, e então construir uma que seja satisfatória, sendo feita de uma intenção psíquica. Os sonhos,
são uma maneira de satisfazer a existência, realizar os desejos e as aspirações. Enquanto a psi-
canálise compreende que os elementos do sonho são mascarados para serem possíveis de serem
manifestados, a fenomenologia propõe um modo imaginativo que satisfaça a existência de forma
consciente, no sentido de que há uma intenção do Ser no que se sonha, se aproximando e afas-
tando na mesma medida.
Compreende-se, portanto, que o sonho se forma pela ação do desejo, que por sua vez são
formados pela via da falta. Se deseja ter. Se deseja possuir e experienciar. Para isso, o psiquismo
desenvolve mecanismos para a produção dos conteúdos oníricos. Parte deste conteúdo é o que
se percebe e se manifesta à consciência. A outra, se forma a partir de uma “intenção desejante”.
E o que se deseja? A mudança da realidade, uma vez que se mostra desagradável a cons-
ciência. Para a psicanálise, entretanto, é a repressão a grande causa. Ao reprimir um desejo, a
consciência vê esta realidade como repulsiva. Por fim, os sonhos e seus infinitos mecanismos de
formação, são meios de se realizar os desejos sem julgamento moral e social, diferentemente da
vida desperta.
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TOWARD AN APPROXIMATION: REFLECTIONS ON DREAMS FROM
PSYCHOANALYTIC AND PHENOMENOLOGICAL‑EXISTENTIAL
PERSPECTIVES
Lucas Gabriel de Lima Serra1; Luciana Bastos Neiva2
Abstract
This article aims to find points of convergence and divergence between the conceptions of
psychoanalysis and existential-phenomenology in relation to dream phenomena. To this end,
the psychological literature of the two theoretical currents was reviewed, taking into account
the works of Freud and Sartre, making a comparison of some points between the two of them,
such as the concepts of displacement and condensation in the first, and that of imaginative
consciousness and perceptual consciousness in the second. What was possible to conclude is
that, although the two theories have significant differences, both recognize that dreams play
an important role in the subject’s attempt to deal with reality, where both consider dreams as
a form of partial satisfaction for psychic desires, as well as what separates the two conceptions
is precisely the unconscious character that psychoanalysis brings, opposing the affectivity and
consciousness that existential-phenomenology proposes.
Keywords: Dreams; Psychoanalysis; Existential phenomenology; Freud; Sartre.
Introduction
“Such sick dreams always remain long in the memory and make a powerful impression
on the overwrought and deranged nervous system.”
(Crime and Punishment)
Fyodor Dostoevsky
Dreams have been the object of curiosity and fascination throughout history, constituting as
they do a fundamental part of human life. Plato, in his Theaetetus (c. 369 BC), presents a Platonic
dialogue on human nature in which a brief debate on oneiric images is raised, seeking out the
similarities and differences between the waking world and the world of sleep (Plato, 2010, p. 217).
1 ORCID: https://orcid.org/0009-0001-8329-4715. Undergraduate student in Psychology at Faculdade Anhanguera, Jacareí –
São Paulo, Brazil. E-mail: lucas.gserra2403@gmail.com
2 ORCID: https://orcid.org/0000-0001-9906-6584. Master’s degree in Philosophy from the Federal University of Minas Gerais
(UFMG); postgraduate specialisation in Psychoanalytic Clinical Practice from PUC Minas; degree in Psychology from the same
institution; lecturer on the Psychology programme at Faculdade Anhanguera. E-mail: lucianabastosn@hotmail.com
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PARTICIPATION IN CHILD PROTECTION AND FAMILY JUSTICE: THE CHILD’S EXPERIENCE
Margarida Leiria, Cristina Nunes
By the nineteenth and twentieth centuries, with the consolidation and advance of scientific,
technical and psychological knowledge, dreams had become an object of systematic study. This
historical and material movement culminated in the publication, in 1900, of The Interpretation
of Dreams, the work by Freud that contributed to the advancement and dissemination of
psychoanalysis.
Psychoanalysis, however, is not the only psychological approach to address the nature of
dreams. The existential-phenomenological approach also concerns itself with this question,
although the material on the subject remains little disseminated within academic circles. Sartre
(1905–1980) discusses the phenomenon of dreams in greatest depth in his book The Imaginary, of
1940. Even while maintaining his criticisms of psychoanalysis, Sartre (1943) identifies points of
contact between the two lines of thought:
Only one school has set out from the same original evidence as we have: the Freudian
school. For Freud, as for us, an act cannot be limited to itself: it refers immediately to
deeper structures. And psychoanalysis is the method that makes it possible to render
such structures explicit. (p. 565)
The purpose of this study, therefore, is to propose possible approximations, as well as the
respective particularities, between the two theories with regard to the phenomenon of dreaming.
Even though certain conceptual differences exist between psychoanalysis and phenomenology,
it is the search for meaning – an interpretation of the psyche – that draws the two theories
together, moving from a manifest sense, in which consciousness appears, towards a latent sense,
speaking of essence in this respect: the thing itself, that which one is (Raffaelli, 2006).
The dream as an unconscious manifestation
To open the debate, it is indispensable to understand the functioning and nature of dreams
from the Freudian point of view. The precondition of psychoanalytic thought is the unconscious,
and the dream is one of the principal routes of access to it. Accordingly, dreams speak of
unconscious desires, as do the other formations and manifestations studied by psychoanalysis.
When the subject is in a state of sleep, the repressive mechanisms of the psychical apparatus
are ‘weakened’, allowing certain drives to be released during sleep – the unconscious desires
and phantasies of the subject who is no longer awake. On this basis, Freud proposes that
dreams are constituted by a set of factors, such as nocturnal sensations, the day’s residues and
unconscious desires (Freud, 1916/1917, p. 306). It is worth noting, however, that for Freud it is not
only unconscious desires that govern dreams, as he himself makes clear in Chapter VII of The
Interpretation of Dreams, but also conscious desires which, given sufficient potency and force,
evoke other desires - these indeed unconscious - of the same tenor, in which they find greater
strength.
What governs and sets dreams and phantasy in motion are desires and drives, formerly
repressed in the unconscious, as Costa (2006) points out:
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Margarida Leiria, Cristina Nunes
Desire emerges as the motor of the dream and of phantasy and, in this sense, has no
correspondence, in principle, in material reality. Thus desire must remain indestructible,
as Freud put it, unrealised, representing the impossible, being the driving force of
phantasy. (Costa, 2006, p. 15)
Drive satisfaction is always partial. Dreams are one further type of unconscious formation
and manifestation through which this partial satisfaction is attained. The manner in which the
subject achieves the partial satisfaction of the drives depends upon an object that is not originally
bound to them, but which must be created, since no adequate object exists that could satisfy them
(Eizirik, 2009). It is desire itself that delimits the object through its movement around a void. The
absence of an object adequate to the drive means that its circuits around this void constitute a
task never completed, but always begun anew. Since satisfaction is achieved through desire itself
– through the movement as such – the drive simultaneously attains its satisfaction and creates its
object, which is nothing other than the object that causes desire.
In this connection, a further important concept that cannot be overlooked here is psychical
reality, defined by Freud (1900, p. 607) as the internal reality of the subject, distinct from factual
and objective reality. It is the manner in which the subject introjects reality and appropriates it -
how the subject perceives their own reality. Taking into account unconscious desires, expressed
in their purest and most original form, we may conclude that psychical reality is a special mode
of existence of the subject: it is the subject’s particular interpretation of the world, which renders
the oneiric processes experienced, and the subject’s narrative concerning them, unique. For this
reason, what appears in oneiric processes is not literally what it presents itself to be, since it bears
no direct relation to material reality - to the real world, so to speak. The images we see in dreams
pass through mechanisms and processes of censorship of our desires and drives, transforming
them into latent content and manifest content, the processes of repression/censorship being,
respectively, condensation and displacement.
Condensation refers to images, elements or meanings that are condensed or compacted
within the dream - a formation in which a single image represents several latent contents and
is thus found to be overdetermined in its meaning (Freud, 1900). Condensation sometimes
takes place through the incorporation of elements or details from other mental contents into
the central image, thereby producing a figure resembling the composite photographs of Francis
Galton (1822–1911), who superimposed photographs of several individuals to form an ambiguous
figure that might call to mind one person or another.
It is not uncommon, for example, for a single person seen in the dream content to display
features that successively recall those of several relatives or friends. For Freud, it is precisely this
process that produces the dream’s sense of strangeness:
It [condensation] is chiefly responsible for the impression of strangeness produced by
the dream, for nothing analogous to it is known in normal psychical life accessible to
consciousness. In the latter we also have representations which, being nodal points
or the final outcomes of whole chains of thought, possess great psychical importance;
yet this value does not manifest itself in any characteristic comprehensible or evident
to internal perception; hence what is represented in them is in no way rendered more
intense. (Freud, 1900, p. 593)
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Margarida Leiria, Cristina Nunes
Condensation, therefore, is the superimposition of contents that may be associated with
one another and that establish an analogy amongst themselves. It fuses elements situated at the
latent level which share similar features into a single content. It establishes a relation between
the manifest content, in which the dream’s images take shape, and the latent content, which
holds the ideas, their meaning or indeed their essence.
Displacement, in turn, occurs in certain situations when the representation and meaning of
other images happen to coincide with a given image. In displacement, the less interesting image
of the manifest content comes to bear the central idea of the latent content - much as in detective
novels, in which the perpetrator of the crime is invariably the least suspected. As Freud argues:
The effect of this displacement is that the dream content no longer resembles the core
of the dream thoughts, and that the dream merely reproduces a distortion of the oneiric
wish in the unconscious. […] We may presume that dream displacement occurs through
the influence of that censorship, of the endopsychic defence. (Freud, 1900, p. 325)
It is common for many of these recent everyday memories, or ‘day’s residues’ (Freud, 1900, p.
66), to intervene in dreams that are apparently devoid of sense, yet which come to represent the
latent meaning of the dream in the course of the subject’s narrative of the event. Displacement is
the work of censorship, whereby the latent content is replaced by one of its constituent fragments.
There is a transference of the importance attaching to one idea onto another that is entirely
different and far removed from it.
It is therefore necessary to understand that oneiric images are an unconscious formation
expressed through the account of the dreamer - this being termed the manifest content, that is,
that which shows itself through the dreamt images. The latent content, by contrast, presents itself
as an original unconscious intentionality, very often comprising contents of a libidinal/sexual
origin which, being deemed ‘improper’ in the eyes of society, may have been repressed. It should
be stressed that a theory is presented before the society of its time - in this case, the close of the
nineteenth century and the beginning of the twentieth in Central and Eastern Europe, where
Freud was expounding these ideas within traditional medical circles: environments markedly
repressive of sexuality and, to some degree, of libertarian movements. When presenting the
dreams of young children, which were the object of Freud’s studies, he indicates this intersection:
The dreams of young children are frequently simple wish-fulfilments and, in this respect,
unlike the dreams of adults, of little interest. They present no riddles to be solved, but
they are naturally invaluable in demonstrating that the dream, in its innermost being,
signifies the fulfilment of a wish. (Freud, 1900, p. 153)
Yet do children’s dreams truly present no riddles to be deciphered? Freud explains this
by recourse to the reality principle: a principle of psychical regulation that imposes a search
for satisfaction by way of detours and substitutions (Garcia-Roza, 1984). In the course of their
development, children are confronted by a conflict between their desire and the determinations
of society. Over time, this interaction leads to the construction of the modes of censorship.
Children are still undergoing socialisation and, therefore, a suppression of what is or is not
socially acceptable. Freud’s argument thus proceeds in the sense that children’s dreams tend to
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be ‘purer’ and less enigmatic, and that children do not yet resort to devices for ‘circumventing’
social norms, nor do they feel guilt over their own desires, which are established as acceptable or
otherwise by the demands of civilisation.
What may be observed at the centre of Freud’s thought, therefore, is the need to satisfy our
drives and its counterposition to the reality principle. The force of our desires collides with the
prospect of a reality that prevents us from fulfilling all our drive-demands in their entirety - a
condition to which we are all subject - as we attempt in some way to alter or to ignore it; there
then arises a frustration, a dissatisfaction with this present reality in which desire cannot be
wholly satisfied. It is hardly surprising, then, as Forrester (2006) argues, that psychoanalytic
thought regards dreams as the fulfilment of a wish.
Dreaming as an Imaginative Manifestation
Considering the questions raised by Freud, how, then, might one conceive of an approximation
with a school of philosophical thought? What is proposed here is an affinity with the philosophical
foundations of Sartre. One point that may be noted within phenomenological thought is that the
phenomenon points to nothing other than itself. According to Sartre:
The phenomenon does not indicate, as if pointing over its shoulder, some true being that
would itself be the absolute. What the phenomenon is, it is absolutely, for it reveals itself
as it is. It can be studied and described as such, because it is absolutely indicative of itself.
(Sartre, 2011, p. 16)
The phenomenological method of interpretation thus departs in part from the psychoanalytic
one, in that it addresses the phenomenon as it appears to consciousness and seeks to find its
meaning from within the phenomenon itself – whereas psychoanalysis pursues a form of
interpretation grounded in an underlying, or latent, structure within each phenomenon.
Sartre sets out the manner in which consciousness intends reality in two modes: the
perceptual and the imaging. The first describes how consciousness intends the object in
the real world, perceiving it as it is – endowed with temporality and spatiality, showing
itself from multiple perspectives and being singled out by intentional consciousness as
the point towards which its ‘gaze’ is directed. The imaging mode, by contrast, intends an
unreal object, which is not perceived but imagined, possessing neither temporality nor
spatiality, and sustaining the autonomy and spontaneity of consciousness as a form of
negation of the real world (Sartre, 2019, p. 38).
According to Sartre (2019), all consciousness is consciousness of something but how does this
assertion play out in the oneiric phenomenon? The author argues that there is a differentiation
between the waking state and the sleeping state: when one is awake, there is no doubt that one
perceives something; in the dream, however, one believes oneself to perceive.
To assert ‘I am perceiving’ is to deny that I am dreaming or, if one prefers, it is a sufficient and
necessary motivation for me to affirm that I am not dreaming. But if the dream asserted itself to
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be perception in the same way and with the same certainty as perception, the judgement ‘I am
perceiving’ would be merely probable, and we should once again have to support it by comparison
between the objects perceived, by the cohesion of the scenes beheld, by their verisimilitude, and
so forth. (Sartre, 2019, p. 291)
An imaging consciousness comprises a knowledge and an intention, and may encompass
words and judgements, these judgements being decisions. Images, therefore, are directed towards
producing the objects of the dream; imaging is a way of judging and of feeling and, above all, a
symbolic function - the function of expressing a meaning proper to the individual. Precisely
because it carries this particular meaning, imaging consciousness possesses an affective
character. Affectivity is an important factor to be considered, given that every perception is
perception of something and every feeling is feeling of something, thereby intending its object
and projecting onto it a determinate quality.
The imagination would thus have as its orientation the negation of immediate reality and
the projection of a fantasised world in which some form of realisation of one’s intentions or,
properly speaking, of one’s existing desires would be possible. Frankl (1991) offers an example
in which prisoners of war report a marked tendency to create a fictitious world in which simple
situations, such as leisure time with the family, are lived and experienced as a means of escaping
present suffering; such an example lends support to the concept of the imaging mode proposed
by Sartre. A parallel may even be drawn with contemporary literature more precisely, with The
Sandman (1989-1996), the comic-book series published across a sequence of volumes by the
author Neil Gaiman. In the narrative, the character Morpheus, guardian of dreams, utters the
following line: ‘Ask yourselves, all of you: what power would Hell have if those imprisoned here
were not able to dream of Heaven?’ an utterance that serves as a reminder that the imaging mode
also encompasses the projection of a future and the possibility of re-signifying sufferings and
lived situations.
Dreams, a form of existence akin to waking life, are a phenomenon of quasi-observation, in
which perceptual consciousness is held captive and believes itself to observe what it perceives.
The dream shows itself as a product of consciousness, negating its immediate reality; its basic
purpose is to create another reality of possibilities not yet accessible, aiming at a reality more
agreeable to the self a certain satisfaction or, indeed, a means of fleeing a reality that shows
itself disagreeable to one’s being. This creative character of consciousness is argued for by Sartre
(1940), for whom this quality operates harmoniously in concert with the other consciousnesses3,
whereby even an object that is not real preserves its homogeneity as the author illustrates, it is as
though they were waves amidst further waves.
In an imaginary world there is no dreaming of possibilities, since possibilities presuppose a
real world on the basis of which they are thought as possibilities. Consciousness cannot take a
distance from its own imaginings in order to imagine a possible sequel to the story it is enacting:
that would be awakening. (Sartre, 1940, p. 303)
3 ‘Other consciousnesses’ refers here to other levels of consciousness, and not to a separate ‘section’, as though each were
detached from the others.
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From this it becomes possible to understand the character of fascination whereby perceptual
consciousness operates in concert with imaging consciousness, since it believes there to be
something to be perceived.
Perceptual consciousness places itself in the position of a spectator, fascinated by the reality
created by imaging consciousness, its attention held, as it were, by the events unfolding in the
dream; yet it may intervene in the dream, as in the case of a nightmare, or of dreams in which
real emotions are provoked - it is at this point that perceptual consciousness acts in order to cope
with this emotion, thereby awakening from the dream (Santos, 2008). Thus, what shows itself in
the dream is believed by consciousness, although it is an unreal object. Consciousness is drawn
to the unreal, to the fantastical.
Still within this Sartrean perspective, we arrive at the method of dream interpretation. In
his work of notable importance for the history of philosophy, Being and Nothingness (1943),
Sartre proposes in its final chapter the foundations of what would constitute a psychological
approach grounded in his existentialist philosophy, which he terms existential psychoanalysis.
This approach is concerned with leading the analysand to move back through their life history
in search of the meaning of their original project, this being the basis of all the individual’s other
projects of existence. The original project would be that which emerges as the conjunction of all
the desires, aspirations and choices adopted in the individual’s life; it is their project of being and
the search for their essence (Sass, 2016).
Accordingly, Santos (2008) proposes that the existential-phenomenologically oriented
therapist should bring the patient closer to the experiences manifested in their contact with the
oneiric material, the analysis of the account itself being a means of observing important elements
of the dreamer’s life. The author further explains that the living-through of the experience, that
is, the living-through of the images of the dream world, makes it possible to understand the
intention of the consciousness that created them in the waking world. The therapist’s function,
in this sense, is to help the patient move back through their personal history until the meaning of
their original project is reached. Consequently, to allow the dream to reveal itself as it is, and to
bring it into the real world, would amount, according to this author, to disclosing the intentionality
contained in the imaginary, to discovering other meanings present in the subject’s existence. The
dream, therefore, points towards the subject’s existence in its totality.
In the Daseinsanalytic view, which is grounded in explicitly existential and phenomenological
concepts, the dream does not differ greatly from the Sartrean view, given that Boss (1979, as cited
in Santos, 2004) maintains that the dream is a form of existence standing side by side with waking
life, inherently possessing a spatiality, a temporality, a historicity (a plot) and a corporeality. Both
the dream and waking life are thus different modes of steering the realisation of one and the
same human existence over the course of its history.
Ultimately, the task would be to explore the dream exactly as it was dreamt, without seeking
an interpretation or searching for a latent content of the dream (Boss, 1979, as cited in Santos,
2004). From this starting point, it would be necessary to analyse what appeared, and what did
not appear, in the dream, seeking out the possibilities to which the subject is open or closed in
their existence to the point of these having entered, or absented themselves from, the dream and
pursuing an analogy with the subject’s real world in waking life.
The next step would then be to investigate how the subject comports themselves in relation to
what they experience in the dream. The work of interpreting the oneiric content would consist in
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bringing the individual to an awareness of their existence through the relations of resemblance
arising between the oneiric content and their lived experience over the course of their history.
From the existential-phenomenological standpoint, therefore, as presented here, dreams may
be employed towards an understanding of the individual in their totality, an approximation being
possible between the events and manifestations occurring in the dream and the individual’s own
waking life, thereby contributing to their being-in-the-world.
Divergences and approximations
Dreams present themselves as a phenomenon to be deciphered and studied in the widest
possible variety of ways, from psychological and psychoanalytic conceptions to neuroscientific
ones. To understand the dream and, further still, how the mind operates so that these manifestations
may appear and produce it is the starting point for describing how this phenomenon reveals
itself, within us and upon us.
A key point of encounter between the two theories concerning the oneiric phenomenon may
be noted: it is precisely the possibility of its interpretation - the practice of an exegesis through
the account of the phenomena that emerge upon the subject’s awakening, in a certain sense latent
in, and inherent to, the phenomenon.
Some considerations must therefore be set out here regarding the two theoretical standpoints.
There is no doubt that the phenomenological and psychoanalytic lines are distinct in their mode
of apprehending dream formations; nevertheless, a comparison may be drawn between how
the contents of the dream are conceived from the two perspectives. In Sartre’s phenomenology,
perceptual consciousness intends the contents and objects present in the dream, something that
may likewise be discerned in Freud through the concept of manifest content. In an analogous
fashion, the latent content, that which lies submerged beneath the images and the desires present
in the dream approaches the Sartrean view insofar as the imaginary character of consciousness
shows itself as the creator and realiser of the intentions of the Being.
The point that potentially differentiates these ideas, however, is the unconscious character
of the dream. The term imaging ‘consciousness’, present in the elucidations of existential-
phenomenological theory, may prompt the thought that it approaches an idea of ‘knowing about
desire’ even within the concept of the ‘original project’. As mentioned above, Sass (2016) indicates
that the original project is that which arises from a gathering of the desires and choices adopted
over the course of the individual’s life, which is to say that it speaks of a determination of the will
and of the election of one’s project of being. This point diverges radically from psychoanalysis, in
the sense that the drives are originally repressed and held back because we live in societies with
strong social and moral restrictions, in which our desires are rejected and judged anomalous.
To seek an original project in the sense of recovering the drives could then culminate in the
annihilation of the subject, or in their social exclusion and descent into madness. The original
project speaks not of an instinctual, drive-based desire, but of a project in search of a ‘meaning’.
The realisation of existence, in turn, speaks not necessarily of the satisfaction of a desire, but
rather of the concretisation of one’s authenticity.
A further topic originating in psychoanalysis that appears intrinsically bound up with
phenomenology is the concept of psychical reality. To recapitulate: it is the mode of interpretation
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PSIQUE • e-ISSN 2183-4806 • Volume XXII • Issue Fascículo 2 • 1st july julho-31st december dezembro 2026 • pp. 99-119
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that the subject/individual makes of reality and introjects for themselves - for phenomenology,
the manner in which experience is lived by the individual (Silva, 2008). Allowing for the requisite
differences, for psychoanalysis, psychical reality involves a certain participation of appropriation
by phantasy, into which are placed the subject’s unconscious desires, whose complete satisfaction
has been frustrated, since the drives are only ever partially satisfied (Roudinesco, 1998). It is
nevertheless necessary to draw a distinction between unconscious and conscious phantasies:
the two are somewhat interlinked in the dream process, yet the conscious phantasies participate
in the organisation of the manifest content, whilst the unconscious ones enter into the origin of
the dream’s content, the latent part.
In the phenomenological view, by contrast, dreams are products of the imaging consciousness,
which conducts itself so as to negate present and immediate reality within the oneiric images.
What is seen in the oneiric content originates in an intention, a ‘desire’ of the order of an aspiration,
differing from that proposed by psychoanalytic theory, which sets itself to be experienced and
lived as a means of consummating one’s conscious wishes and intentions.
Psychoanalysis, however, does not understand dreams as a form of negation of reality, but
rather the inverse: the dream is the fulfilment of an unconscious wish, the search for the satisfaction
of a drive, these having been masked by the processes of condensation and displacement on
account of their libidinal-sexual or infantile origin (Freud, 1900, p. 223). Such drives and desires
are not accepted in the society in which they arise and are consequently rejected and repressed;
they are thus masked so that they may be manifested by the unconscious, and in order to appear
to consciousness they must comply with these imposed requirements. Such is the perspective on
dream formation from the psychoanalytic standpoint.
It may thus be observed that the one conception stands opposed to the other, yet they show
themselves to be close insofar as desire, in psychoanalysis, is repressed only because it is not
accepted within its reality, socially or morally, thereby rendering material reality unsatisfactory.
In the final analysis, the content of dreams is formed, in a certain sense, so as to negate an
immediate reality that shows itself displeasing and limiting, one that prevents us from realising
our desires, and then to construct a reality that is satisfactory, fashioned out of a psychical
intention. Dreams are a means of satisfying existence, of realising desires and aspirations.
Whilst psychoanalysis understands that the elements of the dream are masked so that they
may become capable of manifestation, phenomenology proposes an imaging mode that satisfies
existence consciously, in the sense that there is an intention of the Being in what is dreamt, the
two approaching and diverging from one another in equal measure.
It is understood, therefore, that the dream is formed through the action of desire, which is
in turn formed by way of lack. One desires to have. One desires to possess and to experience.
To this end, the psyche develops mechanisms for the production of oneiric contents. Part of this
content is what is perceived and manifested to consciousness; the other part is formed out of a
‘desiring intention’.
And what is desired? The transformation of reality, insofar as it appears unpleasant to
consciousness. For psychoanalysis, however, repression is the primary cause. By repressing a
desire, consciousness comes to experience that reality as repulsive. Ultimately, dreams, together
with their countless mechanisms of formation, provide a means through which desires can be
fulfilled without the moral and social constraints that govern waking life.
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