Reflexões sobre o mundo actual: problemas sociais contemporâneos
Date
2000
Embargo
Authors
Advisor
Coadvisor
Journal Title
Journal ISSN
Volume Title
Publisher
Campo das Letras
Language
Portuguese
Alternative Title
Abstract
Nesta proximidade de fim de século e de milénio, quando se desenham cada
vez mais fortes as tendências da globalização como resultado do desenvolvimento
capitalista neoliberal com cargas de uma subtileza na exploração do Homem que nunca
haviam sido até hoje imaginadas, parece tornar-se necessária uma reflexão sobre o que
são e porque existem alguns dos problemas sociais que mais atormentam sectores
conscientes da humanidade.
No vazio que se criou após a queda da economia planificada, surgiu a crise
económica nos EUA — acelerou-se o desemprego e a inflação — que só podia ter
solução na retracção ou explosão da própria economia. O crescimento económico
passava pelo aumento do consumo mesmo que para tal tivesse de se incentivar o crédito
individual. Foi isso que aconteceu e está na origemda economia globalizante. As «auto
estradas da informação» não só serviram para ampliar os contactos ao nível planetário
como, também, para facilitar o comércio a esse mesmo nível. Totalmente liberta da
contestação política e ideológica dos partidos comunistas, e mesmo dos partidos
socialistas, a concepção capitalista da vida e da ordem social deu largas à criatividade e
impôs-se como ideal organizativo. Os anos 90 do século que está próximo do fim
trouxeram a ideia de consumo global e transportam no seu seio o germe da crise global.
A nave planetária a que chamamos Terra galopa para a destruição em consequência da
produção e do consumo para satisfazer necessidades quase todas supérfluas ou, no
mínimo, secundárias e, por isso, dispensáveis.
A vida na Terra tornou-se ameaçadora a vários títulos e cada vez mais todos
nós, cidadãos conscientes, temos como obrigação tornarmo-nos defensores da
transmissão, em condições aceitáveis, da herança que recebemos dos nossos
antepassados. Hoje é, quase em exclusivo, essa a luta que vale a pena ser travada. Para
que a possamos assumir teremos de perceber alguns dos condicionalismos que a
determinam e, acima de tudo, as causas dos nossos receios para que a luta possa ser
profícua. Corria o Verão de 1999, fui convidado a leccionar um pequeno bloco de
matérias à pós-graduação em Jornalismo Internacional que ia desenrolar-se, no ano
lectivo de 1999/2000, na Universidade Autónoma de Lisboa. Genericamente cabia-me
falar de «Segurança e Insegurança» na perspectiva não militar. Foi um desafio, tanto
mais que, faz alguns anos, abandonei por outras as minhas preocupações didácticas
nesse domínio. Entusiasmado, gizei um programa que foi aprovado e com o qual
pretendia, sobretudo, suscitar grandes dúvidas e interrogações nos meus futuros alunos.
Não queria dar-lhes respostas nem oferecer-lhes fórmulas de solução para os problemas
que lhes iria colocar; queria — isso sim — «sacudi-los» de modo a que tivessem
oportunidade de olhar para certos problemas do mundo actual segundo uma outra
perspectiva, mesmo que ela não correspondesse à suaforma de pensar, mesmo que não
lhes fosse possível concordar com os pontos de vista que lhes expusesse, mesmo que
repudiassem, do princípio ao fim, toda a minha argumentação, porque, acima de tudo,
era meu desejo despertá-los para as calamidades quejá vivemos e não damos por elas
ou que se avizinham a passos muito largos.
Imbuído do objectivo que me animava fiz uma pesquisa mínima e, acima de
tudo, deixei-me levar por uma reflexão quanto ao modo de abordar os temas que havia
incluído no programa. Depois desse trabalho de maturação, que passou, também, pela
identificação de algumas obras que me poderiam servir de apoio e, em especial, apoiar
os meus futuros alunos, lancei-me à execução dos sumários e, para consolidar os
aspectos a desenvolver nas aulas, fui escrevendo ideias sobre ideias enquanto procurava
na Internet algum material de qualidade para fornecer aos discentes de modo a que
tivessem algumas bases onde se apoiassem durante os diálogos que desejava
proporcionar nas aulas. Foi desta maneira que nasceu o essencial do presente livro.
Concluída a minha participação no curso de pós-graduação, relendo o que havia escrito,
surgiu-me a ideia de completar alguns aspectos, arrumar o material segundo uma ordem
mais lógica e dar-lhe a forma de livro para pôr nasmãos dos leitores interessados as
reflexões que me desassossegaram e que provocaram nos meus alunos algumas
inquietações. Acima de tudo, parece-me, uma das ideias mais importantes que se poderá
colher é a de que o cidadão de cada Estado é, em cada dia que passa, mais responsável
pela sobrevivência da humanidade e do planeta independentemente da acção que os
partidos políticos possam desenvolver.
No início do livro recordo alguns conceitos fundamentais para a compreensão
do seu conteúdo; depois, faço uma breve análise do começo das ameaças mais graves ao ambiente; em seguida, abordo desenvolvidamente as ameaças à segurança não militar;
tratado este aspecto passo a enumerar os riscos ambientais mais evidentes; por fim,
proponho um delineamento de uma estratégia para se fazer frente a toda a situação
estudada.
Esta pequena obra quer ser mais um grito para uma tomada de consciência; não
pretende ser mais do que isso. Se cumprir o seu objectivo terá valido a pena a reflexão
que fiz e a que convido o leitor.
Keywords
Globalização, Terra, Segurança não militar, Insegurança, Droga, Xenofobia, Violência, Poluição, Racismo, Fundamentalismo, Capitalismo, Religião, Nacionalismo, Ecologia, Delinquência, Energia Nuclear
Document Type
Journal article
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