Desafiar Mamon: o estado das Contas Públicas
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2018-07
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EDIUAL
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Portuguese
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Vivemos hoje tempos de grande euforia económica. As exportações crescem
significativamente, muito à boleia do turismo, o investimento dá sinais de querer emergir,
o desemprego desce, a inflação está controlada. No setor público atinge-se o défice mais
baixo desde o antigo regime. Tudo parece estar a correr bem. Mas será que sim?
A «besta negra» das contas nacionais, a dívida pública, não para de crescer em termos
absolutos e relativos. Esse comportamento poderia não ser tão preocupante se estivéssemos
certos que os motivos que estão por detrás fossem virtuosos. Mas os dados apontam em
sentido contrário. Efetivamente, não é só o stock de dívida e os inerentes encargos que
merecem preocupação. Mais importante que tudo é a sua origem, natureza e composição.
As contas públicas sofrem o efeito de um vírus silencioso, ainda assintomático, que corrói
a sua sustentabilidade, na linha do preconizado pelos clássicos, como Keynes – com a sua
teoria da regra de ouro orçamental, tão ignorada que é – e, entre nós, José Teixeira Ribeiro.
E ninguém parece querer ligar a isso.
Os mecanismos e as regras de controlo assumidas pela UE, para além das dúvidas na sua
cientificidade, bondade e eficácia, não obrigam a recentrar a questão no essencial. Por
isso muito terá que ser feito a nível interno para obstar aquilo que parece inevitável, se a
situação não se inverter: a perda sistemática da soberania financeira nacional, podendo
culminar no quarto resgate financeiro da era democrática.
Keywords
Dívida Pública, Dívida interna e externa, Regra de ouro do orçamento de Keynes, Soberania financeira nacional, Controlo das contas públicas, Pacto de Estabilidade e Crescimento da União Europeia
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Journal article
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