Mulheres no cárcere:direitos e garantias à luz das regras de Bangkok regras de Bangkok
Date
2019-04-07
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Language
Portuguese
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Abstract
As relações estabelecidas em sociedade tornaram-se um desafio diário; porém, na sociedade
globalizada, muito se discute acerca das limitações do Estado e do respeito às garantias
individuais dos cidadãos, em especial quando se trata de direitos relativos à população
carcerária feminina. Assim, a pergunta central que se propõe a responder apresenta-se da
seguinte forma: tendo em vista a reduzida representatividade da mulher na população
prisional, a internacionalização das regras relativas à segregação feminina - Regras de
Bangkok -, tem sido eficaz no Brasil e em Portugal, considerando que ambos
comprometeram-se acerca das especificidades de gênero e, consequentemente, tem
contribuído para o respeito à dignidade das mulheres que ingressam no sistema carcerário, em
ambos os países? O objetivo da pesquisa emerge do enfrentamento da problemática do
encarceramento feminino, realidade historicamente pouco questionada. O método de
abordagem utilizado é o dialético, na medida em que se partiu de confrontos entre
desigualdades de gênero, encarceramento feminino, buscando extrair, a partir disso, as
contradições existentes, levando em consideração as normas de Bangkok – Regras das Nações
Unidas para o Tratamento de Mulheres Presas -. O método de procedimento adotado é o
comparativo, uma vez que se busca desenvolver um estudo comparado entre Brasil e Portugal.
A pesquisa também se caracteriza por ser bibliográfica. O trabalho estruturou-se em três
partes, em um primeiro momento, abordou-se sobre as discussões de gênero e(m) cárcere,
traçando breves e necessárias notas sobre questão penitenciária, aparelhos ideológicos estatais
e a posição da mulher na sociedade patriarcal, bem como sobre o capitalismo e os (possíveis)
reflexos na desigualdade de gênero. Num segundo momento, desenvolveu-se acerca do
encarceramento feminino e sua evolução histórica à luz das ciências criminológicas. Ainda,
trabalhou-se as especificidades femininas no sistema prisional e a influência da subcultura do
cárcere no cumprimento de pena feminino e a aplicação das regras de Bangkok. No terceiro
capítulo, discorreu-se no tocante ao direito e o encarceramento feminino a partir do estudo
comparado entre Brasil e Portugal, tecendo acerca das legislações e abordando sobre seus
sistemas penitenciários. A relevância da pesquisa encontra amparo justamente pelo fato de
tratar sobre a violação dos direitos das mulheres encarceradas em decorrência de suas
especificidades, tendo em vista as diferenças de tratamento existentes no Brasil e em Portugal.
Ao final, constatou-se que embora as legislações de Brasil e Portugal contemplem direitos e
garantias relativos ao encarceramento feminino, a internacionalização das regras relativas à
segregação feminina - regras de Bangkok -, não tem sido eficaz no Brasil, considerando que
as especificidades da mulher não são observadas na maioria das casas prisionais. No entanto,
no que se refere à Portugal, pode-se mencionar que as regras Bangkok têm sido eficaz, ainda
que não na sua totalidade, pois nota-se uma preocupação do governo português no respeito e
tratamento da mulher presa. Assim, as Regras das Nações Unidas para o Tratamento de
Mulheres Presas - Regras de Bangkok -, contribuem, em parte, para o respeito à dignidade das
mulheres que ingressam no sistema carcerário, a depender da execução de cada país,
lembrando que no Brasil a operacionalidade das regras mencionadas caminha a passos lentos.
Keywords
Encarceramento feminino, Gênero, Regras de Bangkok, Legislação
Document Type
Master thesis
Publisher Version
Dataset
Citation
Identifiers
TID
202186610
Designation
Dissertação de Mestrado em Direito. Ciências Jurídicas
Access Type
Open Access