Imprensa regional: globalização, localização e jornais de proximidade em Lisboa
Date
2016-12-14
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Language
Portuguese
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Numa era digital, marcada por uma constante e acelerada mudança, caracterizada por um
globalismo padronizador de culturas e de costumes, muitas indústrias e profissões estão a
alterar-se totalmente, ou até mesmo a desaparecer. Tudo isto se passa num ritmo
freneticamente acelerado, que nos afoga literalmente num caudal de informação, muitas vezes
difícil de filtrar e descodificar em tempo útil. A evolução tecnológica para o digital fez com
que as comunicações se tornassem muito mais banais e fáceis, tornando irrelevantes as
diferenças entre texto, imagem e som.
A área da comunicação, e mais concretamente a do jornalismo, não está imune a este
processo. A globalização, auxiliada pela expansão electrónica, pode produzir conteúdos com
tendência para anular o particular, a diversidade ideológica e interpretativa. Hoje, é possível
ler notícias, exclusivamente assinadas por computadores, não sendo fácil distinguir se foram
escritas pelo homem ou criadas através de inteligência artificial. Ao mesmo tempo, vamos
assistindo á concentração da propriedade dos media em grupos económicos que controlam
grandes fatias dos meios de comunicação social.
Por outro lado, a era da mobilidade tem um forte impacto no modo como acedemos às
notícias. Mais de 4 milhões de portugueses utilizam smartphones, ou seja, é já muito grande a
nossa dependência desses meios quando se pretende saber o que se passa no mundo.
Enquanto isto, a imprensa tradicional tem vindo consistentemente a perder audiência ao
longo dos últimos anos. A manterem-se estas quebras, será muito difícil atingir um ponto de
equilíbrio que torne os projetos sustentáveis e editorialmente independentes. Para haver
liberdade, é necessário haver independência económica. No entanto, porque a maior parte dos
sites de notícias é gratuito (o mesmo, aliás, se passa em relação à rádio e a uma boa parte da
televisão), criou-se a ideia de gratuitidade generalizada em redor da informação.
No distrito de Lisboa, muitos dos jornais da imprensa regional estão concentrados nas
áreas limítrofes da cidade, o que atrai a concorrência dos grandes meios aí sediados. De
consequências inevitáveis no negócio, já que, como se sabe, o jornalismo depende
grandemente da publicidade, a atravessar una crise profunda, sobretudo consequência da
recessão económica atualmente vivida.
Este panorama coloca-nos, pois, algumas reservas em relação à capacidade da imprensa
regional, para assegurar uma independência política e económica. Através deste trabalho,
conclui-se pela urgente revitalização do jornalismo, com a consequente adaptação ao ritmo acelerado das novas tecnologias. Ou dito por outras palavras: a independência dessa imprensa
só será possível através de um modelo de negócio moderno e sustentável, capaz de fazer com
que as empresas cresçam livres de qualquer espécie de subsidiodependência, para, assim,
poderem assumir o seu real (e insubstituível) papel.
Keywords
globalização, jornalismo, mobilidade, regional
Document Type
Master thesis
Publisher Version
Dataset
Citation
Identifiers
TID
201465418
Designation
Mestrado em Comunicação Aplicada. Estudos Aplicados em Jornalismo
Access Type
Open Access