Expressão da dor, ansiedade e depressão em doentes com lombalgias recorrentes
Date
2016-03-10
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Portuguese
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Abstract
A dor é uma forma de comunicação unipessoal, caracterizada por uma experiência de caráter
multifatorial (Breton, 2007) que, quando mal interpretada, exalta reações nas diversas
dimensões: física, psicológica, emocional, social, laboral, familiar, relacional, entre outras
(Hwang et al., 2011). Quando recorrente, com duração superior a seis meses, pode associar-se
a um processo clínico patológico, ou seja, a dor crónica (Loeser, 2011).
As lesões musculoesqueléticas, em particular a lombalgia, pela sua frequência, têm sido
consideradas a causa mais comum de incapacidade crónica (Taimela, Negrini, & Paroli, 2004).
É, igualmente, um problema socioeconómico, pelas consequências que lhe estão inerentes,
nomeadamente a nível laboral, emocional, cultural e cognitivo (Petit, Fouquet, & Roquelaure,
2015).
O objetivo do presente estudo é exploratório. Propõe-se analisar algumas das dimensões da
lombalgia recorrente, tendo em consideração a sua etiologia multifatorial.
A amostra foi constituída por 120 sujeitos portugueses (MIdade = 48.88; DP = 16.34), que
afirmaram sofrer de dor na região lombar, sendo 41.7% detentores de grau de habilitações
superior, 69.2% empregados e 57.5% casados ou em união de facto.
Para recolha da informação, recorreu-se a um questionário (adaptado de Gonçalves, 2008),
sobre os dados demográficos e avaliação musculoesquelética; ao The McGill Pain
Questionnaire (MPQ) – versão Portuguesa, para avaliação da dor; ao The State-Trait Anxiety
Inventory – Forma Y-1 e Y-2 (STAI), para a ansiedade; e ao Beck Depression Inventory – II
(BDI-II), para a depressão.
A utilização das técnicas de análises de dados seguiu dois critérios: por um lado, os objetivos
pretendidos requereram determinadas aplicações matemáticas; por outro, as características dos
mesmos exigiram estatísticas ajustadas. O recurso ao modelo Rasch e à estatística inferencial
permitiu constituir um quadro abrangente de compreensibilidade dos fatores em estudo.
Os resultados revelaram que as categorias de resposta dos instrumentos STAY e BDI-II
cumprem os critérios propostos por Linacre (2002), ou seja, os estatísticos de ajuste (infit e
outfit) encontram-se todos dentro do limite produtivo e, a nível das qualidades psicométricas, a
precisão das medidas dos itens e sujeitos é adequada, apontando para medidas úteis, eficazes e
produtivas na avaliação da ansiedade e da depressão. Observou-se que 75.0% da amostra refere
sofrer de problemas ao nível da coluna vertebral (69.8% dos homens e 77.9% das mulheres) e
75.8% refere dores musculares (69.8% dos homens e 79.2% das mulheres). Os homens
apresentaram valores de Índice de Massa Corporal (IMC) superiores aos das mulheres e
mencionam mais lombalgias, comparativamente às mulheres, e sofrem desta sintomatologia,
em média, há mais tempo do que as mulheres.
A maioria da amostra afirmou sofrer de problemas de coluna vertebral e apontou a região
lombossagrada como a mais afetada, caracterizando a dor, na maioria dos casos,como bilateral
e/ou episódica, local, de intensidade moderada, e com maior expressão ao levantar e ao final do
dia.
Como conclusão, verificamos que os resultados vão ao encontro da literatura, demonstrando
que, perante a elevada taxa de dor, se afigura premente a necessidade de uma abordagem
dissemelhante e holística, como forma de minimizar o sofrimento e os problemas
socioeconómicos colaterais que dela advém.
Keywords
Expressão da dor, ansiedade, depressão, lombalgias recorrentes
Document Type
Doctoral thesis
Publisher Version
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Identifiers
TID
101411472
Designation
Access Type
Open Access