Crianças Vítimas (In) Diretas da Violência Doméstica
Date
2018-10-02
Embargo
2021-10-03
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Coadvisor
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Language
Portuguese
Alternative Title
Abstract
Este trabalho surge no âmbito de um estágio curricular realizado numa casa
abrigo. Para além do meu interesse em estudar e perceber um pouco melhor a situação
da violência doméstica, sempre associada ao papel dos filhos/crianças, esta
oportunidade acabou por impulsionar a realização do meu relatório final para obtenção
de grau de mestre em Psicologia Clinica e de Aconselhamento.
A violência doméstica é cada vez mais alvo de estudo e de preocupação na nossa
sociedade. Depois de um período de silêncio, tem começado a ser cada vez mais
denunciada. Vítimas que passam por sentir vergonha, começam cada vez mais a
denunciar agressores, para protegerem as suas vidas e a dos seus filhos.
Estes crimes originam anualmente inúmeras mortes. Dados do último relatório
anual da Associação de Apoio à Vitima (APAV) mostram que no ano 2016 foram
cometidos 16461 crimes de maus tratos psíquicos e maus tratos físicos. A maior parte
das vítimas são mulheres e crianças. Os dados mostram que, por dia, cerca de 14
mulheres e 2 crianças são vítimas de violência e maus tratos. Em 2016 foram
identificadas 9347 vítimas diretas de 21315 crimes e outras formas de violência. Os
crimes contra as pessoas representam 93.3% de todos os crimes identificados a nível
nacional (Relatório anual APAV, 2016).
No entanto, frequentemente, quando se fala em violência doméstica, fala-se de
crianças que assistem a mães agredidas. Este ato, denominado de violência
interparental, levanta questões relacionadas com o impacto nestas crianças.
A violência interparental constitui uma forma de maus tratos à criança (Sani,
2006). Embora esta possa não ser o alvo direto da violência perpetrada no contexto
doméstico, o fato de observar os conflitos entre os pais, duas figuras importantes de
vinculação num contexto essencial para o seu desenvolvimento, faz da criança também
uma vítima (Sani, 2011).
Em Portugal, desde o ano 2000, foram criadas diversas estruturas de apoio a
vítimas de violência doméstica, nomeadamente as casas abrigo. Estas casas
proporcionam às vítimas de violência doméstica e aos seus filhos um ambiente
securizante, onde podem restruturar as suas vidas, criando um novo projeto de vida.
Este relatório está organizado em três partes distintas. A primeira parte diz
respeito ao enquadramento teórico, onde foi realizada uma revisão sobre a literatura
existente sobre o tema. Na segunda parte, estão descritas todas as atividades realizadas durante o estágio, nomeadamente a apresentação dos dois casos clínicos, que foram
acompanhados. Na terceira parte estão as reflexões e conclusões finais.
Keywords
Violência doméstica, crianças, violência interparental, casas abrigo
Document Type
Master thesis
Publisher Version
Dataset
Citation
Identifiers
TID
201978431
Designation
Dissertação de Mestrado em Psicologia. Psicologia Clínica e de Aconselhamento
Access Type
Open Access