Os reflexos da dignidade da pessoa humana no reconhecimento de paternidade na contemporaneidade: diálogo luso-brasileiro
Date
2024-03-18
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Portuguese
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A temática dos reflexos da dignidade da pessoa humana no direito ao reconhecimento
de paternidade na contemporaneidade ganhou grandes proporções a partir do julgamento, em
2016, do RE 898060/SC pelo STF no Brasil, que tratou acerca da paternidade socioafetiva e do
reconhecimento do vínculo de filiação concomitante baseado na origem biológica. Já em 2017,
por meio do Provimento n.º 63, o CNJ autorizou o reconhecimento voluntário de paternidade e
de maternidade socioafetiva perante os cartórios, abrindo as portas para o ingresso da
pluriparentalidade pela via extrajudicial.
Trata-se de um assunto relativamente novo, especialmente em Portugal, que vem
discutindo ainda o tópico do “direito ao desenvolvimento da paternidade socioafetiva”.
Na prática, a socioafetividade há tempos estrutura vínculos de paternidade fáticos nos
lares nacionais. A “adoção à brasileira” (espécie de “perfilhação simulada”), largamente aceita
pela sociedade, se mostrou consolidada, chegando-se hodiernamente ao tratamento do tema dos
efeitos jurídicos do reconhecimento simultâneo da paternidade biológica e afetiva em sede de
multiparentalidade, como as obrigações alimentares e as consequências nos direitos
sucessórios.
A partir de aprofundada análise doutrinária da socioafetividade e do arcabouço
constitucional que lhe embasa, procura-se demonstrar como o princípio da dignidade da pessoa
humana vem refletindo no reconhecimento de paternidade na contemporaneidade. Para tanto,
procede-se à apreciação da construção do conceito da dignidade da pessoa humana na ordem
jurídica e em especial no direito de família, além do exame do estabelecimento de paternidade
no Brasil e em Portugal e da análise crítica sobre o instituto da socioafetividade, amplamente
forjado sob a realidade social das “adoções à brasileira” e de seus desdobramentos jurídicos.
Dessa forma, conclui-se pelo reconhecimento da multiparentalidade, isto é, da
possibilidade de cumulação entre vínculos de filiação afetivo e consanguíneo, com os seus
efeitos jurídicos próprios, sendo certo que o princípio da dignidade da pessoa humana é a
direção a guiar a sua incidência, que deve ser circunstancialmente invocada sempre que sirva
para salvaguardar o superior interesse do filho.
Keywords
Reconhecimento de paternidade, Socioafetividade, Multiparentalidade, Efeitos jurídicos
Document Type
Master thesis
Publisher Version
Dataset
Citation
Identifiers
TID
203589050
Designation
Dissertação de Mestrado em Direito. Ciências jurídicas
Access Type
Open Access