Educar para a guerra ou educar para a paz: o debate no campo pedagógico português nas primeiras décadas do século XX
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2014-07-03
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Portuguese
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O discurso republicano produzido em Portugal na transição do século XIX para o século
XX enfatizou a figura do cidadão-soldado como parte do culto cívico da Pátria então
fomentado em alternativa às crenças e rituais do catolicismo. Na sequência da
implantação da 1ª República, em 5 de outubro de 1910, foi desenvolvido nas escolas
primárias um projeto tendo em vista a Instrução Militar Preparatória (IMP) dos jovens
portugueses. Para além da preparação militar dos futuros cidadãos, que lhes permitiria,
se necessário, defender a Pátria de armas na mão em caso de perigo, esta área curricular
tinha, igualmente, entre os seus objetivos conduzir esses jovens à aquisição e
interiorização de um conjunto de valores e competências consideradas essenciais. O
cidadão ideal da nova República deveria ser ordeiro, disciplinado, moralmente exemplar
e fisicamente capaz de afrontar a dureza e as necessidades da guerra, para além de
amante incondicional da sua Pátria. A preparação militar surgia, assim, fortemente
articulada tanto com a educação física, para cujo desenvolvimento contribui numa fase
inicial, como com a educação moral e cívica, de pendor laico, fomentada no período.
Está, igualmente, na base da exibição ritual de batalhões escolares no espaço público em
momentos de festividade cívica. O contexto belicista que então emerge, associado, a
partir de 1916, à própria participação portuguesa na Grande Guerra, criou um ambiente
favorável à proliferação dos discursos propagandeando as virtudes educativas da
formação militar. Esse contexto contribuiu também, por outro lado, para inspirar o
desenvolvimento, no campo pedagógico, de um conjunto de discursos de sentido
contrário. Muitos educadores, designadamente alguns dos mais ligados ao movimento
da Escola Nova, surgiram como arautos das posições pacifistas que começavam a
proliferar no seio do associativismo internacionalista docente e que tiveram amplas
repercussões em Portugal. O presente texto tem, assim, como objetivos: analisar o
projeto de militarização da juventude escolar fomentado pelo republicanismo português
na fase inicial da República; refletir sobre a polémica desenvolvida no campo educativo
português à volta desse projeto e tendo como principais termos formar o “cidadãosoldado”
ou “educar para a paz
Keywords
republicanismo, patriotismo, cidadão-soldado, Escola Nova, educação para paz
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