O fim da Guerra Fria foi um desastre estratégico para Portugal?
Date
2011-11-18
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OBSERVARE. Universidade Autónoma de Lisboa
Language
Portuguese
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Um político importante português classifi cou o fi m da Guerra Fria como “O Maior Desastre
Nacional para Portugal desde a derrota de Alcácer Quibir em 1578”. Pretendia dizer com isso
que um determinado modelo estratégico a partir do enorme investimento europeu na modernização
de infra-estruturas materiais e, em menor grau, em capital humano, teria feito de
Portugal a porta de entrada barata e ideal para o investimento estrangeiro na CEE na década
de oitenta. Contudo, o colapso do modelo comunista e a globalização do capitalismo tornou o
modelo de mão-de-obra barata para Portugal insustentável. A isto podemos acrescentar o facto
de Portugal se ter tornado cada vez mais periférico do ponto de vista estratégico. A adesão à
NATO e à UE após 1989/1991 tornou-se menos exclusiva e um privilégio menor. O impacto
diferencial da entrada no Euro, assim como o da liberalização do comércio global e de capitais,
tornou Portugal ainda mais marginal. Após 1989/1991, Portugal ou a Grécia podiam ser
autorizados a falhar de uma maneira que não acontecera antes – já não podiam continuar a
ser encarados como prova do fracasso do modelo ocidental, como uma fenda potencialmente
perigosa no muro que separava os dois blocos da Guerra Fria. O colapso da Jugoslávia podia
ter sido visto como um exemplo precoce e extremo de um problema mais amplo da periferia
da nova Europa e Ocidente do pós-Guerra Fria. Assim, que podemos fazer? Fazer uso
máximo das nossas fraquezas, do risco sistémico mais amplo que o Euro criou juntamente
com os inventivos distorcidos que foram parcialmente responsáveis pela crise. Mas para isso,
especialmente em tempos de grande incerteza e risco, devemos ter uma estratégia, e uma que
não assente unicamente em austeridade pura e num mítico Estado mínimo, ou num conceito
autárquico albanês.
Temos que nos atrever a propor algumas medidas sustentadas por algum apoio externo para
sairmos da crise, reforçar a governança da Europa, tornar as Finanças menos altaneiras, e oferecer
incentivos a médio prazo em troca de sacrifícios a curto prazo. Uma Estratégia nacional
e Europeia não é um luxo, mas, mais do que nunca, uma necessidade. Por último, mas não
menos importante, a segurança não é um luxo neste contexto, e pode ser transformada numa
mais-valia estratégica de forma mais ou menos óbvia.
Keywords
Portugal, Pós Guerra-Fria, Crise global financeira, Grand Strategy
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