Exercício do direito de voto dos cidadãos deficientes visuais segundo os ordenamentos jurídicos brasileiro e português: uma análise à luz da convenção internacional sobre os direitos das pessoas com deficiência
Date
2020-10-01
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Language
Portuguese
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Abstract
O término da segunda guerra mundial representa o marco temporal da revalorização dos
direitos humanos, agora sob os influxos da dignidade da pessoa humana, conceito este já
trabalhado desde a Antiguidade clássica, contudo, alçado apenas naquele momento à condição
de eixo do sistema jurídico. Juntamente da dignidade da pessoa humana, o princípio da
isonomia ganhou novas roupagens. Sob os influxos da dignidade, esta tendo como elementos
a autonomia e valor intrínseco da pessoa humana, percebeu-se que outras óticas deveriam ser
agregadas à isonomia, não mais podendo ser compreendida apenas sob a ótica formal. As
diferenças fáticas vivenciadas pelas pessoas deveriam ser valoradas para que todas elas
dispusessem, efetivamente, de iguais condições para exercerem seus direitos. Da mesma
forma, além da simples redistribuição de bens, riquezas e oportunidades, dever-se-ia conceder
respeito aos indivíduos, reconhecimento e valorização de suas diferenças. Como decorrência
de toda esta carga axiológica, despontaram na ordem internacional diversas convenções
tutelando grupos vulneráveis presentes na sociedade. O homem não mais poderia ser
compreendido de forma genérica e abstrata, mas sim em função de suas particularidades. A
dignidade da pessoa humana em conjunto com a isonomia em todas as suas demandavam um
olhar específico a todos os indivíduos. Dentre tantas convenções surgidas neste momento,
destaca-se a Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência,
documento internacional, que ao valorizar a busca pela autonomia e igualdade de condições
em prol das pessoas com deficiências, rompeu com a visão assistencialista e de cunho
estritamente médico pela qual eram tratadas. Dentre tantos direitos trabalhados pela
convenção, confere-se especial atenção à participação na vida política, mais precisamente ao
exercício do direito de voto pelas pessoas com deficiências. Incorporada por muitos países, a
exemplo de Brasil e Portugal, muitas melhorias já foram alcançadas. Em solo brasileiro, podese elencar a instituição da votação eletrônica, estando as urnas acessíveis aos deficientes
visuais, bem como o programa de acessibilidade instituído pela justiça eleitoral brasileira. Já
em solo português, teve-se recentemente a adoção da matriz em Braille na votação por
cédulas em prol das pessoas com deficiências visuais e a ampliação das possibilidades de
votação antecipada, conferindo-se, agora, tal faculdade a todas as pessoas com deficiências.
Contudo, relatórios lavrados pelas mais diversas entidades expõem que muitas barreiras ainda
se fazem presentes e precisam ser superadas para que o direito de voto seja efetivo.
Keywords
Dignidade, Isonomia, Pessoas com Deficiências, Exercício do direito de voto
Document Type
Master thesis
Publisher Version
Dataset
Citation
Identifiers
TID
202526178
Designation
Dissertação de Mestrado em Direito. Ciências Jurídicas
Access Type
Open Access