Entre os velhos e os novos activismos
Date
2008
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Coadvisor
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OBSERVARE. Universidade Autónoma de Lisboa
Language
Portuguese
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Abstract
A acção colectiva, para ter lugar e ganhar impacto social e político, comporta o confronto entre actores e objectivos opostos, mas também (como assinalei na primeira parte) uma exigência identitária, a qual passa pela construção de representações simbólicas, muitas vezes apoiadas na promessa de recuperação do sentido comunitário, que os processos sociais destruíram ou ameaçaram devido à acção predadora do mercado e do Estado. Na Inglaterra do século XIX e noutros contextos mais recentes, de que pode ser exemplo o caso português – com o 25 de Abril de 1974 –, a mobilização popular não se deveu apenas a motivações políticas e económicas (nem a causas racionais, da ordem da “consciência” ou dos “interesses”), mas também, talvez sobretudo, a factores culturais e identitários. E estes foram construídos a partir de estímulos discursivos dirigidos ao imaginário colectivo, em nome da “boa” comunidade, solidária e justa (fosse ela o “povo”, a “classe operária”, o “MFA” ou o “socialismo”), apelando a identificações estruturadas contra um adversário conotado com um passado que agrediu a dignidade, que reprimiu, explorou, etc. A identidade precede os interesses. Mesmo a participação, a solidariedade e o prazer colectivamente partilhado correspondem ao desejo de reconstrução comunitária, quer este seja virado para um passado nostálgico e em nome das “raízes”, quer para um futuro promissor e “emancipatório” ou, o que é mesmo, subjectivamente vivido enquanto tal (Tilly, 1978; Morris, 1996).
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