Revolução Francesa: a memória da imprensa no primeiro centenário
Date
2000
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OBSERVARE. Universidade Autónoma de Lisboa
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Portuguese
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A imprensa cria a memória. Ao conservar e divulgar mantém vivo o passado no presente, num processo em que a objectividade se alia à subjectividade. Descrever os acontecimentos, retratar os homens, enunciar as ideias implica conjugar o conhecimento possível do real do acontecer com a transfinitude do olhar sobre esse mesmo acontecer. Ou seja, permite compaginar a irredutabilidade do que foi expressão de vida num tempo e lugar determinados, com a redutibilidade das potencialidades cronológica e topologicamente inesgotáveis do viver. Neste sentido, a imprensa, quer a noticiosa, quer a de opinião, porque situada e datada, retrata uma actualidade parada no tempo, complexa nas suas tensões, interrogações e lacunas, mas passível de ser compreendida, interpretada e completada. Ora, na medida em que veicula um ponto de situação marcado pela diversidade dos modos de pensar e, por vezes, por disparidades factuais, além de dar a conhecer o carácter multifacetado de uma realidade que está longe de ser unívoca e abúlica, abre as portas a uma permanente actualização, não só dos conhecimentos em si, mas da reflexão sobre eles.
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