Humanitarismo, segurança humana e benignidade da dominação
Date
2011-11-18
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OBSERVARE. Universidade Autónoma de Lisboa
Language
Portuguese
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Na ordem mundial do nosso tempo, o humanitarismo tornou-se num código moral e num
suporte retórico para a ação política e, em especial, num dispositivo legitimador do intervencionismo
internacional em escala global. Nesta apresentação procuro demonstrar que
estamos diante de uma referência com uma trajetória evidenciadora da sua profunda ambiguidade.
A sua originária lógica emancipadora foi acima de tudo expressão de convicções
pueris do fi m da história, isto é, de que, no mundo do pós-guerra fria, teriam desaparecido
as tensões ideológicas e geopolíticas de que alimentam as relações de poder. Desmentida
esta ilusão, essa fé num humanitarismo regulador das soberanias foi cooptada pelo sistema
de poder mundial que transformou as diferentes manifestações do humanitarismo em substitutos
da política e mesmo em exigências de ação militar ofensiva.
Intervenção humanitária e segurança humana são dois conceitos que dão concretização a
esta trajetória e às suas contradições políticas profundas. Colocá-las em contexto – designadamente
em articulação com as leituras emergentes na década de noventa para as quais
a periferia seria um lugar em que a modernidade não tem chão e em que, por força dessa
inviabilidade endémica, a barbárie pré-moderna de que se fazem as “novas guerras” a condena
a fi car na dependência de intervenções externas – permite discutir melhor o seu efetivo
alcance regulador no sistema internacional contemporâneo.
Keywords
humanitarismo, segurança humana, governação global
Document Type
Journal article
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Open Access