O direito a morrer com dignidade e o direito a uma morte autodeterminada: aproximação a uma prestação sui generis de políticas públicas de saúde em fim de vida
Date
2022-02
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Publisher
JUS.XXI & DEE Internacional Publishing, Lda
Language
Portuguese
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Abstract
Partindo da análise das decisões do
Tribunal Constitucional italiano e do Tribunal
Constitucional alemão, pretende-se ensaiar
a configuração de um direito à disposição
sobre a própria vida, que implicitamente já
se encontra no perímetro protetor do direito
à autodeterminação em matéria de cuidados de saúde.
O direito a morrer com dignidade
compreende o direito a recusar tratamentos médico-cirúrgicos e bem assim o direito
à abstenção de tratamentos, ainda que se
produza o resultado morte.
Radicando estes direitos do direito
à autodeterminação pessoal, o reconhecimento implícito de um direito à interrupção
voluntária da vida indica que o direito a uma
morte autodeterminada inclui a liberdade de
disposição sobre a própria vida num contexto de fim de vida como verdadeira alternativa
ao direito de acesso a cuidados paliativos,
devendo a decisão do doente em antecipar a sua morte ser respeitada pelo Estado
e pela sociedade como um ato da autodeterminação pessoal, que deve ser integrado na
promoção de políticas públicas de garantam
um fim de vida digno, uma vez que a morte
poderá ser componente essencial do cumprimento integral do mandato de otimização
do livre desenvolvimento da personalidade.
O respeito pelo direito fundamental
à autodeterminação, compreendendo a autodeterminação nas decisões relativas ao fim da vida, de uma pessoa que decide livre
e voluntariamente antecipar o fim da sua vida não colide com o dever do Estado de
proteger a vida, uma vez que o direito que protege o bem jurídico não pode ser imposto
ao próprio titular sob pena de o convolar num direito/dever, uma imposição jurídica ao
doente que nele já não encontra a ideia que o precede como “bem” e, por conseguinte,
como interesse protegido.
Neste desiderato, visando salvaguardar a liberdade do pressuposto ético-jurídico
da ordem jurídica que é a pessoa humana, não parecem existir motivos para que não se
reconheça integralmente um direito à disposição sobre a própria vida do qual decorrem
as garantias e poderes necessários a proteger com êxito a dignidade no contexto de um
Estado Democrático de Direito que, enquanto projeto ético inacabado, deverá assegurar
a consecução deste ato médico de acordo com um verdadeiro paradigma de respeito
integral pelo primado da pessoa humana.
Keywords
Direito a uma Morte Autodeterminada, Desenvolvimento da Personalidade, Liberdade de Consciência, Direito a uma Morte Digna, Liberdade de Dispôr Sobre a Própria Vida
Document Type
Book part
Publisher Version
10.51389/SRQZ3670
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Open Access