Jogadores patológicos online e offline: caracterização e comparação
Date
2015
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Portuguese
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Face ao grande desenvolvimento do jogo ao nível mundial, o problema colocado foi: perceber quais são as características, os fatores de risco, perigosidade e respetivas diferenças entre jogadores patológicos online (JPON) e offline (JPOF); que permitirão a posteriori a elaboração de programas de prevenção e tratamento adequados à cultura portuguesa, assim como indicar novas linhas de investigação. Com este mesmo intuito, tentou-se responder a três questões centrais da literatura científica atual: i) Serão os jogadores patológicos online diferentes dos offline? (Griffiths, 2011); ii) Será o jogo online mais atractivo e prejudicial que o jogo offline? (Shaffer, 2009); e iii) existe um continuum de risco e de consequências negativas uso-abuso-dependência em ambos os modos? (Orford, 2011) Os instrumentos utilizados neste estudo, quantitativo, transversal e exploratório de caráter descritivo e comparativo-correlacional foram: um questionário sociodemográfico, outro sobre comportamentos de jogo, o South Oaks Gambling Screen (lesieur & Blume, 1987) para avaliar o tipo de jogador − recreativo, abusivo ou patológico −, e ainda um questionário sobre estratégias de coping, tendo a amostra contado com 342 jogadores patológicos, 776 jogadores abusivos e 481 recreativos, repartidos pelos modos offline e online, com idades entre os 16 e os 80 anos. Os participantes respondiam diretamente a um questionário para jogadores online ou offline, mediante o seu modo preferencial de apostar. Pode concluir-se do estudo que existem diferenças entre JPOF e JPON, que existe um continuum de risco em ambos os modos, sendo mais rápido e intenso no modo online. Pode considerar-se que o modo online apresenta um risco de danos superior, pois os resultados nos fatores de risco situacionais e estruturais foram mais elevados nos JPON, apesar de nos fatores de risco das características individuais surgirem relativamente superiores nos JPOF, sendo, todavia, e muito provavelmente em grande medida, devido à média de idades destes últimos ser superior em mais de dez anos. Realça-se a tendência para haver cada vez mais jogadores patológicos mistos, ou seja: que apostam tanto no modo offline como online. Existe hoje em Portugal uma base científica para construir programas de prevenção e tratamento baseados no perfil quer dos JPOF quer dos JPON, mas deverão ser elaborados novos estudos para aquilatar sobre a influência dos fatores de riscos situacionais e estruturais no jogador misto e qual a relação que este estabelece com cada um dos modos, online e offline.
Ao nível sociodemográfico e de comportamentos, o perfil do jogador online consiste em: ser do género masculino; média de idade de 30 anos; formação escolar completa superior; vivem em meio urbano; mais profissões “intelectuais/científicas”; e jogam sobretudo poker e apostas desportivas mais motivados por fácil acessibilidade e disponibilidade no horário 17h-21h, cinco vezes por semana, gastam menos dinheiro e têm historial de relação com jogos e computadores que remonta em média aos 16 anos. O perfil do jogador offline é: masculino; 40 anos (nas mulheres 50 anos); licenciado; com actividade profissional (área de gestores e empreendedores); com relações conjugais de compromisso; com gastos de dinheiro e tempo mais significativos. Jogam sobretudo a slotmachines, mais motivados por divertimento e ganhar dinheiro, com mais ideação suicida e mais problemas ligados ao stresse, depressão e ansiedade, fazendo mais apostas online do que os jogadores online apostam offline. Idade e género influenciam fortemente estes perfis.
Keywords
Dependência, jogo abusivo, patológico, continuum de risco
Document Type
Doctoral thesis
Publisher Version
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TID
101411154
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Open Access