Reflexões sobre a responsabilidade civil extracontratual do estado por excessos da atividade policial no ordenamento português e brasileiro
Date
2022-12-14
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Portuguese
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Na esfera da Responsabilidade Civil Extracontratual do Estado, o presente estudo
está afeto à análise da observância dos preceitos do Estado Democrático de Direito pela
Administração Pública, quando causadora de um ato lesivo, no exercício da atividade
policial, por extrapolar seus poderes e os limites legais, repercutindo na esfera dos
administrados e, para tanto, ensejando o dever de reparação. Especificamente à função
administrativa, o exercício do Poder de Polícia deve pautar-se em prerrogativas específicas
atinentes a sua autoexecutoriedade e coercibilidade, haja vista se tratar de limitador dos
direitos individuais. No entanto, o Estado, no seu exercício, não deve extrapolar aos
ditames legais, em observância ao interesse público e à dignidade humana, afastando
qualquer abuso do poder político estatal. Nesta seara, a atuação da polícia está associada a
critérios de legalidade e observância aos direitos individuais, sendo que na ocorrência de
excessos, por abuso ou desvio de poder, que operem ao cidadão danos na sua esfera
patrimonial ou moral, o Estado deve arcar com a respectiva reparação, haja vista a ilicitude
do ato. Na Constituição da República Portuguesa, destaca-se o artigo 22. °, o qual orienta a
responsabilidade civil direta do Estado e demais entidades públicas, bem como de seus
agentes. Em decorrência do ditame constitucional, a Lei n.º 67/2007, de 31 de dezembro,
aprovou o regime da responsabilidade civil do Estado e demais entidades públicas
(RRCEE) e, mais especificamente, que tratam da função administrativa e a
responsabilidade por fatos ilícitos, pelo risco e pelo sacrifício. Já no ordenamento
brasileiro, a matéria da responsabilidade do Estado é prevista única e exclusivamente pelo
Art. 37, § 6. ° e § 7. °, da Constituição da República Federativa do Brasil não havendo
outro suporte normativo para sua regulação, pautando-se as decisões em critérios
jurisprudenciais. Importante, nesta seara, contextualizar acerca das forças segurança nos
dois países, desde sua origem, natureza, atribuições e vinculação de dependência, posto
que as estruturas entre os países trazem diferenças que repercutem na seara da
responsabilização. Ao final, a relevância está em analisar como a atividade jurisdicional de
Portugal e Brasil enfrentam as questões acerca da responsabilidade extracontratual do
Estado no excesso da atividade policial, considerando se tratar de um dever atrelado à
observância dos ditames legais indissociáveis aos direitos fundamentais e para tanto o
poder público deve adequar seus parâmetros de atuação e observar sua primordial
relevância em prol da realização da justiça material em observância aos preceitos do
Estado Democrático e de Direito.
Keywords
Responsabilidade Extracontratual do Estado, Função Administrativa, Poder Polícia, Excesso e Desvio de Poder, Segurança Pública, Polícia, Portugal, Brasil, Decisões Judiciais
Document Type
Master thesis
Publisher Version
Dataset
Citation
Identifiers
TID
203156382
Designation
Dissertação de Mestrado em Direito. Ciências jurídicas
Access Type
Open Access