Saúde mental, carga de trabalho e civilidade nos enfermeiros em serviços COVID-19 e não COVID-19 – Estudo comparativo
Date
2022-12-07
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Language
Portuguese
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Abstract
Durante os últimos dois anos temos passado por uma pandemia mundial causada pelo
SARS-CoV-2, mais comumente retratada pela doença que causa que é a Covid-19.
Desse modo, o presente estudo investiga a saúde mental, a carga de trabalho e a
civilidade nos profissionais de saúde em unidades Covid-19 e não Covid-19 para perceber se
existem diferenças entre ambos os grupos.
A saúde mental segundo a World Health Organization (WHO, 2020a, 2013), é o estado
de bem-estar que permite que as pessoas funcionem no seu potencial máximo a nível mental e
físico, além disso, ajuda-as a se adaptarem e a lidarem com as advertências da vida, de modo a
ser capazes de continuar a trabalhar de forma eficaz.
Os profissionais de saúde são os que estão em contacto direto com pacientes Covid-19,
isso faz com que a sua saúde mental seja mais afetada. Têm vindo cada vez mais a demonstrar
fragilidades a nível da saúde mental, pois apresentam elevados níveis de ansiedade, depressão,
stress pós-traumático e burnout (Harris, Barnes, Boyd, Joseph & Osatuke, 2022).
Com o surgir da pandemia é esperado que a civilidade no ambiente de trabalho diminua,
pois, os profissionais de saúde estão perante um cenário de stress e com uma sobrecarga de
trabalho acrescida (Sampaio, Sequeira & Teixeira, 2020).
A civilidade é um comportamento que tem como objetivo ajudar a preservar as normas
e o respeito mútuo no local de trabalho. São estes comportamentos que vão conectar os colegas
de maneira que se estabeleçam relações interpessoais (Pearson, Andersson & Porath, 2000).
É esperado que os profissionais de saúde tenham comportamentos civis de modo a
transmitir uma imagem profissional quando estão a tratar e a comunicar com os seus pacientes.
Quando existem comportamentos civis, aumenta a satisfação do paciente e o foco que o
profissional de saúde tem para com essa pessoa é muito maior do que perante um ambiente de
incivilidade (Hossny & Sabra, 2021).
O excessivo aumento da carga de trabalho pode levar a que a saúde mental e a civilidade
entre colegas diminua (Sampaio et al., 2020). Além disso, pode também levar a ser um fator
ambiental que contribui para a violência contra os profissionais de saúde (Havaei & MacPhee,
2020).
A carga e trabalho refere-se à quantidade de trabalho que é imposto ao trabalhador e
consoante o nível de carga de trabalho, a perceção que o trabalhador tem perante o seu trabalho
pode variar (Kuijperrs, Kooji & van Woerkom, 2020). Nos enfermeiros a carga de trabalho é medida tendo em consideração os níveis de skills clínicas que são fundamentais para se efetuar
o trabalho diário necessário (Moghadam et al., 2021).
A presente investigação tem como objetivo, compreender se existem diferenças entre
profissionais de saúde em unidades Covid-19 e não Covid-19 relativamente à saúde mental, a
carga de trabalho e a civilidade. Para tal, foram aplicados os seguintes instrumentos, AWS
(Leiter & Maslach, 2004), SF-36v2 (Ferreira, 2000a, 2000b) e ECT (Nitzsche, 2015), todos
estes instrumentos foram usados na sua versão portuguesa, a uma amostra de 180 participantes,
mais concretamente profissionais de saúde, em que a maioria eram enfermeiros.
Os resultados obtidos enquadram-se em duas das três hipóteses propostas que são as
seguintes, a carga de trabalho nos profissionais de saúde em unidades Covid-19 será superior
aos profissionais de unidades não Covid-19 e que a saúde mental dos profissionais da linha da
frente será mais afetada do que os profissionais em outras unidades hospitalares.
Keywords
Saúde Mental, Carga de Trabalho, Civilidade, Unidades Covid-19, Profissionais de Saúde, Unidades Não Covid-19
Document Type
Master thesis
Publisher Version
Dataset
Citation
Identifiers
TID
203156447
Designation
Dissertação de Mestrado em Psicologia. Psicologia clínica e de aconselhamento
Access Type
Open Access