Da Guerra Remota – A ascensão dos sistemas aéreos não-tripulados e as implicações para o futuro da confl itualidade hostil
Date
2011-11-16
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OBSERVARE. Universidade Autónoma de Lisboa
Language
Portuguese
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Abstract
Os sistemas aéreos não-tripulados (Unmanned Aircraft Systems - UAS) desafi am o paradigma
dominante da aviação tripulada provocando alterações na forma e letalidade do
combate, na identidade do combatente e na experiência da própria Guerra. A decisão de
empregar UAS para aplicação de força letal abre um novo debate acerca do signifi cado estratégico
do Poder Aéreo. A introdução de uma capacidade na Guerra que faz perspectivar
um futuro onde o combate seja desumanizado e conduzido de forma remota e autónoma,
terá impactos profundos no fenómeno da confl itualidade hostil.
A Guerra Remota traduz a dupla implicação moral do aumento da distância e da remoção
do risco do duelo humano. Confi rma a tendência histórica de aumento do afastamento
físico entre os combatentes, mas acompanha-a com uma desconexão psicológica. Todos
estes fatores parecem apontar no sentido de uma possível transferência de risco do combatente
para a sociedade, induzindo um transbordo do carácter limitado da Guerra, no sentido
do alastramento de métodos, armas e alvos. Por outro lado, verifi ca-se uma ampliação da
liberdade de manobra política, antecipando-se uma maior apetência para fazer a Guerra e
uma alteração do relacionamento do Estado e da sociedade.
A avaliar pela aceleração do ritmo tecnológico, a expansão dos UAS a outras competências
aéreas e a sua proliferação no espaço de batalha, somos levados a aceitar que estamos perante
uma Revolução nos Assuntos Militares com implicações épicas, transversais à natureza
da confl itualidade hostil, à qual Portugal não se pode alhear.
Considerando por isso, a especifi cidade geográfi ca e geopolítica de Portugal, assim como o
emprego do Poder Aéreo nacional em futuros cenários híbridos e ambientes assimétricos, é
fundamental equacionar o emprego de UAS nas áreas de Defesa e de Segurança. Para isso
é necessário defi nir uma visão estratégica que enquadre os requisitos e esforços de todos os
atores, privilegiando uma priorização, especialização e fomentando soluções multinacionais.
Keywords
Sistemas Aéreos Não-Tripulados, Poder Aéreo, Conflitualidade Hostil, Guerra Remota
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Journal article
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Open Access