A economia cosmopolita global, o euro e a economia portuguesa
Date
2011-11-18
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OBSERVARE. Universidade Autónoma de Lisboa
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Portuguese
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Abstract
O fantasma de Friedrich List percorre a Europa do Sul. Este autor estava persuadido que
um país signifi cativamente menos desenvolvido não poderia abater todas as suas defesas
perante a concorrência dos mais desenvolvidos sem consequências dramáticas para a
produção, emprego e desenvolvimento. A política comercial constituiu a primeira fronteira,
utilizada habilmente por muitos países, hoje desenvolvidos, como a própria Alemanha ou os
NICs. Uma segunda linha de defesa pode encontrar-se na hábil gestão de uma moeda no
sentido de uma depreciação competitiva.
Num contexto de ausência das duas linhas de defesa referidas, política comercial e política
monetária, a economia portuguesa desenvolveu na última década um conjunto de desequilíbrios
que conduziram a níveis de produtividade e competitividade insufi cientes para
concorrer com a dinâmicas internacionais da globalização e do euro e que se manifestam,
designadamente, num crescimento anémico, graves défi ces externos e orçamental e dividas
explosivas externa e pública.
O nosso propósito é o de procurar responder a um conjunto de questões relacionadas com
a natureza da crise e as características da integração da economia portuguesa designadamente:
a) o desequilíbrio existente corresponde a uma situação nova (e em quê?) ou tem
semelhanças (e quais?) com situações vividas em décadas anteriores por vários países em
vias de desenvolvimento? b) a economia portuguesa é sustentável nas presentes circunstâncias
de integração e dívida? c) a defl ação competitiva, anteriormente obtida através de uma
taxa de câmbio convenientemente depreciada, pode (e até que ponto?) ser substituída por
uma defl ação fi scal, salarial ou redução de custos associados aos bens não transaccionáveis?
d) a fl exibilização do mercado de trabalho e a depreciação do valor do trabalho, em implementação
actualmente, conduzem a um rumo de crescimento ou a um círculo vicioso de
empobrecimento e deterioração da coesão social com efeitos potencialmente implosivos?
e) qual a natureza e limites da política macroeconómica no contexto de integração actualmente
existente? f ) haverá campo para políticas alternativas ou complementares?
Keywords
Economia cosmopolita, euro, economia portuguesa, desequilíbrio, deflação competitiva, política macroeconómica, sustentabilidade da dívida, integração
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