Brasil: uma surpresa anunciada
Date
2016
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OBSERVARE. Universidade Autónoma de Lisboa
Language
Portuguese
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Abstract
Será que houve uma verdadeira surpresa
quando o Brasil constatou, na sequência da
segunda vitória eleitoral de Dilma Rousseff,
em 2014, que as condições de governabilidade
do país, em lugar de terem sido potenciadas pelo
banho de legitimidade do sufrágio, mostraram,
quase de imediato, uma significativa degradação,
com efeitos visíveis na coesão da base político-
-partidária com que a reeleita presidente partia
para o seu segundo mandato?
Não parece seguro. O que se passou a partir daí
terá surpreendido muita gente pela forma como
ocorreu – crises sucessivas no executivo, reforço
inédito dos bloqueios parlamentares, impactos
diários dos escândalos financeiros na máquina
política – mas, verdadeiramente, fica a sensação
de que o país pressentia que a estabilidade formal
saída das urnas teria, mais cedo do que tarde,
uma resultante que seria debilitante para a própria
presidente.
O Brasil tinha assistido, na sua história contemporânea,
a atos eleitorais muito tensos e divisivos,
com momentos de agitação e até fortes clivagens
em estruturas institucionais centrais. A eleição
presidencial de 2014 não foi nisso diferente
de algumas outras. Porém, pressentia-se, desde
o início, que esta eleição tinha lugar num ambiente
político, económico e social muito atípico.
E que isso não deixaria de ter importantes consequências
no futuro.
Keywords
Relações internacionais, Política, Brasil
Document Type
Journal article
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Open Access