A responsabilidade civil ambiental em face da atividade mineraria: por um regime jurídico peculiar em Portugal e no Brasil
Date
2023-02-08
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Portuguese
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A atividade de extração mineral tem características peculiares, com reflexos sociais
e ambientais relevantes e caráter estratégico para os diversos países. Partindo-se, portanto, do
pressuposto segundo o qual a mineração é uma atividade produtiva singular – necessariamente
sujeita à rigidez locacional da jazida mineral –, demandante de elevados investimentos em
pesquisa, inovação tecnológica e bens de capital, faz-se necessário analisar a utilidade de
normas jurídicas próprias, fundadas em conceitos específicos, que garantam a necessária
segurança jurídica ao investidor, o fomento da atividade e um novo modelo de responsabilidade
civil ambiental aplicável a todos os atores envolvidos.
As nações, via de regra, tratam os recursos minerais como bem público pertencente
ao Estado. Contudo, quer seja por instrumentos de delegação, quer seja por meio de contratos,
as atividades de prospecção mineral e lavra são comumente atribuídas a particulares, os quais
são submetidos ao pagamento de royalties, de eventuais participações nos resultados, bem
como a procedimentos de licenciamento ambiental e a normas regulatórias/técnicas cada vez
mais cosmopolitas, tanto sob o ponto de disposições transnacionais, como sob a ótica de um
mercado globalizado com elevados padrões técnicos, frutos de autorregulação.
É de se notar, ainda, que os mineradores geralmente remuneram a coletividade pela
exploração de um bem público, devendo, nesse sentido, agir de acordo com a melhor técnica
globalmente aceita e com a legislação aplicável, não apenas considerada a local, mas a nacional,
a internacional e as medidas de autorregulação do setor. Nesse sentido, considerando a
complexidade das operações, pode-se deparar com a hipótese em que o empreendedor, mesmo
obedecendo critérios técnicos e legais rígidos, depara-se com um evento que cause degradação
ambiental. Nessa situação, sendo o Estado remunerado pelas operações, responsável pelo
licenciamento ambiental, pela regulação e pela fiscalização destas, é imperioso avaliar se a
aplicação indiscriminada do Princípio do Poluidor-Pagador e/ou a responsabilização objetiva
são a melhor política pública de proteção ambiental. Em suma, pretende-se elucidar se, em
Portugal e no Brasil, a mineração demanda a criação de normas peculiares no que se refere à
responsabilidade civil por danos decorrentes da atividade.
Keywords
Mineração, Peculiaridade operacional, Novo modelo de responsabilização civil
Document Type
Master thesis
Publisher Version
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Citation
Identifiers
TID
203243439
Designation
Dissertação de Mestrado em Direito. Ciências jurídicas
Access Type
Open Access