A solidão na idade sénior e a importância da identificação social em grupos de canto
Date
2022-02-03
Embargo
Authors
Advisor
Coadvisor
Journal Title
Journal ISSN
Volume Title
Publisher
Language
Portuguese
Alternative Title
Abstract
Muitos estudos confirmam o contributo de grupos de canto para um envelhecimento ativo e a
integração social dos adultos mais velhos. Porém, existem poucos estudos experimentais com
validade científica forte que mostrem os efeitos causais do canto em grupo para o bem-estar
social dos mais velhos. A realização deste estudo experimental randomizado cruzado surgiu
para colmatar estas falhas na literatura científica. Através de uma distribuição aleatória dos
participantes por grupos de intervenção e de controlo (em lista de espera), recorreu-se a medidas
quantitativas por questionário e a medidas qualitativas por entrevistas semiestruturadas, para
avaliar o impacto dos níveis de solidão e identificação social nos adultos mais velhos, antes e
depois da participação num programa de canto em grupo. O programa designado Sing4Health,
realizou-se durante quatro meses e 34 sessões, de duas horas cada sessão, e foi composto por:
exercícios de relaxamento e aquecimento vocal, técnica vocal, memorização e interpretação das
músicas e letras, dinâmicas de grupo, pausas de 20 minutos para possibilitar a socialização,
preparação e apresentação de um espetáculo e, por fim, avaliação do desempenho de cada
individuo para verificar a evolução ou não da participação no programa. Os critérios de inclusão
dos participantes foram: ter idade igual ou superior a 60 anos, serem reformados, aceitarem o
convite para participar no programa de canto em grupo, num período de quatro meses e não
terem participado num programa de intervenção nos últimos 4 meses. Os critérios de exclusão
consistiram em ter incapacidades graves a nível cognitivo, auditivo, visual ou a nível da
mobilidade, que os impedisse de participar no grupo de canto. A amostra foi composta por 149
adultos mais velhos: 14,1% homens e 85,9% mulheres (média de idade de 76,69), no grupo
experimental (n=85) e 1,7% homens e 78,3% mulheres (média de idades de 76,62), no grupo
de controlo (n=60). Em relação aos resultados quantitativos alcançados não se verificaram
efeitos significativos do programa de canto em grupo ao nível da solidão e da identificação
social nos participantes. Porém, foi possível identificar uma descida significativa da solidão nos
dois grupos, não podendo afirmar-se que se deve à aceitação de participação no programa ou a
outro fator externo à intervenção. Observou-se, ainda, uma associação inversa entre a
identificação com o grupo de canto e a solidão. No caso da análise qualitativa das entrevistas
os participantes reportaram como principais benefícios: bem-estar emocional e benefícios
sociais. Em relação às atividades alternativas ao programa de canto, os participantes mencionam
maioritariamente atividades artísticas e desportivas. Estudos futuros devem replicar o programa
e o estudo de desenho experimental com amostras maiores e com maior equilíbrio de género,
para avaliar a consistência dos resultados. É possível que intervenções em grupos de canto mais longas possam consolidar os benefícios na integração social no grupo de canto e transferi-los
para outros contextos de vida dos participantes. Para adultos mais velhos vulneráveis em termos
sociais e de saúde, com menor escolaridade e défices cognitivos, programas com grupos
menores e mais apoio individualizado podem ter maior eficácia.
Keywords
Grupos de Canto, Solidão, Identificação Social, Estudo Experimental Randomizado
Document Type
Master thesis
Publisher Version
Dataset
Citation
Identifiers
TID
202961311
Designation
Dissertação de Mestrado em Psicologia. Psicologia Clínica e de Aconselhamento
Access Type
Open Access