A proliferação nuclear no Séc. XXI - uma nova forma de instabilidade global?
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2015-02-04
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Portuguese
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A arma nuclear surgiu no final da II Guerra Mundial como instrumento destinado a
desferir um golpe decisivo ao Japão.
Durante vários anos, este tipo de armamento permaneceu nas mãos de um grupo
restrito de Estados: os EUA, a Inglaterra, o Reino Unido, a China, a França e a Rússia, o que
permitia à comunidade internacional saber quem detinha as armas e a tecnologia necessária
para a sua produção.
No período da guerra fria as superpotências que dominavam o mundo construíram
arsenais nucleares. No entanto, a dissuasão nuclear mantinha os soviéticos e norteamericanos num estádio de paridade estratégica e num clima de terror sem nunca chegarem a
um conflito armado direto. Os arsenais nucleares foram desenvolvidos no âmbito de uma
relação de forças, considerando cada um o rearmamento do outro como a prova das suas
intenções belicosas. Em suma, era um mero jogo de força s de resultado nulo.
Todo este clima de confronto mudou com a queda do Muro de Berlim em 1989 e o
colapso da URSS, arrastando as tensões dos modelos das relações diplomáticas da altura, bem
como toda a estrutura contratual estabelecida durante o período da ordem bipolar que foi
praticamente anulada.
Pela primeira vez, desde a sua criação, a tecnologia nuclear passou a estar ao alcance
de quem tivesse os meios económicos para a adquirir. A comunidade internacional, que antes
sabia quem detinha esta tecnologia, teve que lidar com o facto de constatar que qualquer
estado ou grupo não estatal poderia, agora, ter acesso a este tipo de tecnologia. Passou -se de
um problema de proliferação vertical para um de proliferação horizontal.
As ações que visavam combater a proliferação nuclear horizontal durante a guerra
fria, lançadas com o Tratado de Não Proliferação Nuclear em 1968, ganharam então um novo
ímpeto neste novo enquadramento internacional.
No caso do colapso da URSS, a cooperação para limitar a dispersão de tecnologia
nuclear e evitar o surgimento de mais estados nucleares, à medida que as ex-repúblicas se
tornavam independentes e assumiam a posse da herança nuclear da URSS, levou o Ocidente e
a Rússia a assumirem o dever de colaborar para que os materiais nucleares regressassem à
Rússia em segurança, impedindo assim o seu acesso a terceiros.
Contudo, noutros países, por circunstâncias diversas, o controlo da proliferação
nuclear tem sido mais complexo, fazendo com que no mundo de hoje estejamos a assistir ao
surgir de um número cada vez maior de estados que têm ou procuram obter acesso a tecnologia nuclear por diferentes razões, sejam elas de segurança contra ataques externos ou
meramente por prestígio a nível mundial.
Atualmente, uma das grandes preocupações da comunidade internacional, é a que
grupos não estatais obtenham tecnologia nuclear que lhes permita co nstruir um dispositivo
atómico e usá-lo com fins políticos.
Nos dias que correm, num mundo cada vez mais global, e com o crescente número de
atentados terroristas, muitas analistas temem que um atentado com armas de destruição
massiva possa ser o grande objetivo desses grupos não estatais.
Keywords
Document Type
Master thesis
Publisher Version
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Citation
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TID
201247666
Designation
Mestrado em Estudos da Paz e da Guerra nas Novas Relações Internacionais.
Access Type
Open Access