Neurociências e direito penal: sobre a permeabilidade jurídica dos pressupostos existenciais da culpabilidade
Date
2021-03-10
Embargo
2024-03-24
Advisor
Coadvisor
Journal Title
Journal ISSN
Volume Title
Publisher
Language
Portuguese
Alternative Title
Abstract
A presente investigação tem por fito verificar a possível permeabilidade das considerações
neurocientíficas sobre a liberdade humana à estrutura da teoria da culpabilidade, em preciso,
aos pressupostos de reprovabilidade – livre-arbítrio e capacidade concreta de culpabilidade.
Em campo metodológico, se adota postura jurídico-dogmática, através da qual se
desenvolvem as pesquisas exploratória e explicativa, sob incursão de raciocínio hipotéticodedutivo. Ao capítulo inicial, vale-se de breve escorço a fim de contextualizar os paradigmas
das neurociências. São explorados os experimentos de Benjamin Libet e John-Dylan Haynes,
além de publicações de António Damásio sobre o livre-arbítrio humano a fim de delinear
conjecturas ao direito penal. Dentre estas, destaca-se a superação da ideia de livre-arbítrio e
de teorias retribucionistas da pena, a potencialização das medidas de segurança, o avanço nos
métodos de aferição de incapacidade, e uma novel distribuição de forças na relação entre
perícia e magistrado. No capítulo seguinte, dedica-se a verificar a ideia de livre-arbítrio
enquanto pressuposto da culpabilidade. Neste intento, debruça-se sobre diferentes concepções
filosóficas a fim de melhor caracterizar sua relação com teorias da culpabilidade. Observa-se
a instabilidade do tema sob a ótima neurocientífica: não há consenso sobre a existência do
livre-arbítrio humano. Ademais, a permeabilidade jurídica das considerações neurocientíficas
parece criar imbróglios quanto a autonomia entre ciências, vez que o ordenamento jurídico
não conta com tal previsão. Por estas razões, defende-se a impossibilidade jurídica de
interferência das considerações realizadas pelas neurociências sobre o gênero livre-arbítrio à
teoria da culpabilidade penal. Em capítulo final, busca-se evidenciar as possíveis
permeabilidades entre o desenvolvimento do paradigma localizacionista e a capacidade
concreta de culpabilidade. Nota-se pontos de convergência entre ciências naturais e jurídicas,
de modo que o parecer técnico tem seu valor reconhecido na investigação da capacidade
concreta de culpabilidade. Conforme metodologia adotada, trata-se de pontos de acolhimento
permitidos em lei e necessários ao direito como ferramenta de realização da norma. Neste
ínterim, a tangibilidade científica é garantia da realização de princípios constitucionais e
legais que fundamentam a culpa, tal qual a dignidade da pessoa humana. Estes influxos
devem seguir método capaz de preservar o Estado Democrático de Direito, sob o risco de
descambar em estruturas punitivas de cunho biológico.
Keywords
Culpabilidade, Livre-arbítrio, Neurociências
Document Type
Master thesis
Publisher Version
Dataset
Citation
Identifiers
TID
202689549
Designation
Dissertação de Mestrado em Direito. Ciências Jurídicas
Access Type
Embargoed Access