Eutanásia: dignidade humana, autonomia privada. Disciplina constitucional e penal em Portugal e no Brasil
Date
2018-11-27
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Portuguese
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A abordagem da problemática da eutanásia, seja qual for o regime jurídico, não pode ser
dissociada da dignidade humana e do direito à vida. Nesse contexto, o estudo ora apresentado
faz uma análise dos ordenamentos jurídicos, notadamente, Brasileiro e Português,
referenciando-se a uma jornada repleta de desafios conflituosos envolvendo a proteção dos
direitos humanos e fundamentais, com enfoque nas questões penais e constitucionais, não
obstante o respeito e a preservação da nova visão da autonomia do doente e das discussões
sobre dignidade humana à luz dos documentos internacionais. Ainda que os avanços
tecnológicos na área médica tragam reconhecidos benefícios para a humanidade, também
podem transmudar-se em prolongamento da existência além do suportável, atitudes que
encontram limitações nos próprios direitos humanos que são universais. Aliás, nessa reflexão
sobre a eutanásia, a sua definição torna-se essencial, diante dos termos utilizados para diversos
casos e da complexidade de situações que podem se apresentar, partindo do pressuposto de que,
embora não seja comum um doente pedir que lhe tirem a própria vida, também não é natural
esse prolongamento exacerbado da sobrevivência de forma artificial. Assim, a análise que se
faz destina-se a visualizar o equilíbrio dos avanços tecnológicos na área da saúde, em conjunto
com a continuidade do reconhecimento da humanidade portadora de valores que devem ser
garantidos e respeitados. Aliado a isso, a verificação da importância do consentimento
informado no exercício das escolhas conscientes dos enfermos resguardado em instrumentos
como o testamento vital, garantindo-se, por conseguinte, a liberdade de consciência, vinculada
a outros valores como a liberdade de religião e o direito à objeção de consciência. O fato é que
o parâmetro de ponderações, diante das colisões de direitos, tem na dignidade humana suporte
que permeará os valores da dignidade, tanto da vida, quanto da morte nas discussões que a
eutanásia assegura. Nesses termos, ao enfermo, em um momento de dor e sofrimento, estado
terminal e sem perspectivas, resta o respeito à sua liberdade no patamar da dignidade e
autonomia, considerando as mudanças na relação médico-paciente, as exigências na
estruturação da saúde e os cuidados paliativos, que longe de serem um privilégio, devem ser
garantidos a todos que necessitarem, pois consistem em alento, inclusive para aqueles que não
encontram na eutanásia um alívio para a alma.
Keywords
Eutanásia, direitos humanos e fundamentais, autonomia, vida e morte dignas
Document Type
Master thesis
Publisher Version
Dataset
Citation
Identifiers
TID
202054837
Designation
Dissertação de Mestrado em Direito. Ciências Jurídicas
Access Type
Open Access