Responsabilidade civil pela perda de tempo útil: reflexões acerca da autonomia jurídica e aplicabilidade do dano temporal
Date
2023-06-06
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Portuguese
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A vida em sociedade exige cada vez mais do cidadão. A correria naturalmente imposta pelo
Capitalismo Selvagem acaba por levá-lo ao esgotamento físico-mental de tal forma que o dia,
com suas vinte e quatro horas, aparenta não ser o suficiente para suprir os anseios e
necessidades do Homem Médio. Rotinas extenuantes de trabalho e estudos, correria das
grandes cidades, poucas horas de sono, descanso e convívio familiar são apenas alguns
exemplos das condições adaptadas por uma geração verdadeiramente escrava do próprio
sucesso. Não são raros os momentos em que os usuários focam sua atenção para corrigir
problemáticas a que não deram causa, perdendo tempo escasso e valoroso, em um verdadeiro
martírio que não pode mais subsistir na moderna realidade jurídica. Basta lembrar das horas
perdidas quando da tentativa de solucionar uma demanda; dos lapsos de espera de
atendimento; das inúmeras e incansáveis justificativas que, em verdade, apenas visam
desvirtuar a atenção da problemática inicial; de call centers que sempre estão congestionados
de reclamantes; de atendentes que agem como verdadeiros soldados na luta contra o próprio
cliente (treinados para vencê-los, ainda que pelo cansaço). É sobre esse enfoque que esta
pesquisa busca suas bases: Tempo Perdido. O ponto de partida é a constatação de que a
Responsabilidade Civil, representando a própria Ciência do Direito, está sempre em evolução,
sendo o Tempo encarado como um bem jurídico de natureza sui generis. A presente
dissertação, portanto, visa realizar o estudo do Tempo como nova modalidade de
responsabilidade civil, atribuindo ao chamado Dano Temporal os mesmos patamares alçados
e alcançados pelos Danos Moral, Material e Estético. Para atingir esse objetivo, fez-se uso da
abordagem holística, dedutiva e dialética; os métodos de procedimento, por sua vez, foram
histórico e comparativo (Portugal x Brasil); as técnicas utilizadas para recolha e tratamento
das informações foram as pesquisas documental e bibliográfica, sendo esta em obras literárias
especializadas, monografias, teses, dissertações e artigos relacionados à problemática; bem
como, estudo de acórdãos de Tribunais, leis e atos normativos Luso-Brasileiros que tratam
direta ou indiretamente sobre o tema. Ao longo da pesquisa foi possível vislumbrar que o
Tempo se mostra como merecedor de tutela jurídica protetiva – ganhando cada vez mais
menção nas decisões brasileiras –, consolidando-se especialmente na seara Consumerista.
Trata-se de evolução cognitiva, pois se reconhece a necessidade de compensação pela vida
alterada causada por culpa de terceiros. Esta inovadora forma de pensar não é restringida por
eventuais alegações de ausência de previsibilidade normativa, posto que a inexistência de
disposição expressa acerca em nada desvirtua sua aplicabilidade jurídica – principalmente quando da análise sistemática do ordenamento. Logo, a parte que causar Danos Temporais
deve ressarcir financeiramente a perda e o desvirtuamento do período cronológico ilicitamente
adulterado. Por fim, busca-se novos ares no ordenamento jurídico brasileiro para nortear a
realidade portuguesa, que deverá realizar metamorfose intelectual e dogmática para
reconhecer a objetividade da responsabilidade e o caráter in re ipsa do Dano Temporal (em
uma inversão ao ônus da prova em prol do consumidor de boa-fé).
Keywords
Responsabilidade Civil, Dano Temporal, Desvio Produtivo, Perda de Tempo Úti
Document Type
Master thesis
Publisher Version
Dataset
Citation
Identifiers
TID
203331486
Designation
Dissertação de Mestrado em Direito. Ciências jurídicas
Access Type
Open Access