Os tratados de Utrecht e a nova ordem europeia
Date
2008
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OBSERVARE. Universidade Autónoma de Lisboa
Language
Portuguese
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Do abade de Saint-Pierre, publicado em 1713, o Projet pour rendre la paix perpétuelle en Europe tinha por objectivo criar uma sociedade das nações, com sede em Utrecht, apoiada por uma força militar internacional capaz de assegurar a paz. Tratava-se de transferir para os novos tratados o imaginário da estabilidade política para a Europa depois de marcada por inúmeros conflitos ao longo do século XVII, apesar do pessimismo do Te Deum d'Utrecht , composto por Haendel, na cidade de Londres (1).
A utopia da paz não se realizaria mas a reordenação geopolítica do espaço europeu, decorrente de Utrecht-Radstadt, teve enormes consequências: uma nova definição de fronteiras entre os Estados europeus, a afirmação do poder da Inglaterra, a reorientação da política externa espanhola, novas alianças, reformulação das relações de força no eixo atlântico e mediterrânico e o aparecimento de duas novas e importantes monarquias (Prússia e Piemonte-Sicília). E, no âmbito diplomático, operou-se uma revolução. As estratégias que passaram a dominar as chancelarias deixaram de prosseguir interesses fundados na captação do prestígio (ampliação de territórios para grandeza das Casas nobiliárquicas, negociações para casamentos entre os Grandes, cerimónias de nascimentos e coroações, manifestações de esplendor e luxo) para se centrarem no pragmatismo económico e político.
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