União de facto e os efeitos patrimoniais: uma comparação da normativa Portugal-Brasil
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2024-02-26
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Portuguese
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Este trabalho apresenta a União de Facto em Portugal, instituto denominado no Brasil
como União Estável, e os efeitos patrimoniais decorrentes do fim dessa relação, seja pela
vontade de uma ou de ambas as partes, ou pela morte de um dos pares. Inicialmente
apresentamos um panorama histórico da família, que atualmente comporta diferentes
configurações. Em seguida, delineamos a evolução legislativa da união de facto nos dois
Estados, tomando como marco teórico suas Constituições, que têm a família como base do
Estado. Assim sendo, o Direito de Família atua na regulação das relações privadas. Em
Portugal, a aplicação de normas da União Europeia busca harmonizar o tratamento
dispensado às famílias pelos estados-membros sem, contudo, ir de encontro ao ordenamento
interno.
A ideia condutora dessa dissertação busca responder à seguinte questão: De que forma
os ordenamentos português e brasileiro tratam os efeitos patrimoniais na União de Facto,
considerando a inegável semelhança com o casamento? Para responder a essa
problematização, julgamos procedente destacar, além das mudanças na concepção da família,
a importância do Direito na condução de questões da vida privada, bem como uma breve
análise da jurisprudência de Portugal e do Brasil. Lembramos que a família é a base dos
estados democráticos de direito e a primeira forma de organização social de que se tem notícia
na história.
Portugal determina que a União de Facto compreende a convivência do casal na
mesma morada, independentemente da orientação sexual, por mais de dois anos. A união,
desde 2001, é regulada por legislação específica. No Brasil, a União Estável é protegida
constitucionalmente e regulada pelo Código Civil de 2002, sem prazo para ser determinada
como tal. Além disso, desde 2017 os direitos sucessórios foram equiparados aos do casamento
por decisão do Supremo Tribunal Federal. No Brasil, percebe-se o paradoxo entre a
informalidade que essa união pressupõe e a constante aproximação com o casamento, cuja
característica é a formalidade contratual. Em Portugal, a legislação mostra-se menos flexível e
faz distinção clara, sobretudo em torno de efeitos patrimoniais, entre os dois institutos.
Contudo, parece haver uma tendência a igualá-los, afinal a Igualdade constitucionalmente
assegurada a todos deve se sobrepor às injustiças porventura oriundas de leis, caso de
Portugal, ou da omissão legislativa, comum no Brasil.
Keywords
União de Facto, União Estável, Efeitos. Patrimônio, Jurisprudência
Document Type
Master thesis
Publisher Version
Dataset
Citation
Identifiers
TID
203589254
Designation
Dissertação de Mestrado em Direito. Ciências jurídicas
Access Type
Open Access