O problema corpo-mente no Portugal Contemporâneo: para uma epistemologia do desporto (1870-1910)
Date
2021-07-08
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Portuguese
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Milhões de pessoas praticam desporto em todo o mundo, seja profissionalmente, seja de
forma amadora, seja em competições institucionalizadas, seja de forma lúdica, seja ainda para
manter a forma ou por puro divertimento.
O desporto, pela sua vastidão conceptual, é difícil de definir, pois envolve atividades
relacionadas com exercício físico mas também com o divertimento e com a recreação. Enquanto
conceito lato, o desporto existe desde o tempo em que o ser humano começou a correr para
caçar e para realizar outras tarefas assentes na sua capacidade única para correr longas
distâncias e interpretar sinais do meio. Enquanto conceito restrito, o desporto contemporâneo é
uma realidade surgida no século XIX, sensivelmente a partir da década de 60, que corresponde
ao conjunto de atividades que envolvem exercício físico. O desporto é, portanto, tão antigo
como o ser humano mas modificou-se ao longo do tempo, à medida que o ser humano ia
transformando o seu meio. Esta tese visa responder à seguinte questão: porque é que o desporto
é omnipresente em todas as sociedades conhecidas, mais primitivas às mais desenvolvidas?
Iremos demonstrar que o desporto é a materialização de representações cognitivas do
problema corpo-mente, tema que é analisado na parte I desta tese. Isto é, consideramos que as
novas representações do problema corpo-mente surgidas a partir de 1870 (em Portugal) – de
carácter naturalista-monista – potenciaram e determinaram a institucionalização e promoção do
desporto contemporâneo. As novas representações do problema corpo-mente resultaram numa
extraordinária valorização do corpo, o que, a par das teses transformistas que demonstravam
que as espécies evoluíam e se extinguiam, levou a um generalizado sentimento de que a espécie
humana estava a degenerar devido aos péssimos hábitos das sociedades com representações
cognitivas dualistas, que menosprezavam o corpo. O desporto surge, neste período, como o
melhor remédio para a regeneração da “raça”, o que lhe ofereceu um papel terapêutico e
preventivo no âmbito da saúde pública e da higiene (parte II).
Por fim (parte III), iremos sugerir o conceito de Homo athleta – a ideia de que o desporto
está inscrito na biologia do corpo humano, na sua anatomia, na sua morfologia e no seu ADN.
O ser humano existe porque possui características únicas de corrida de fundo que, aliadas a uma
maior inteligência, lhe permitiram dominar o Planeta. O Homo athleta é o homem/mulher que
compete por um prémio. Nos primórdios competia-se por carne. Hoje, compete-se por, entre
outras coisas, honra, superação e por uma necessidade vinda de um impulso interior que pulsa
para que corramos – corramos para o que mais valorizamos e corramos daquilo que mais nos
ameaça. O desporto, por ser intrínseco à natureza humana, manifestou-se como atividade
sociocultural como meio de promover saúde e bem-estar. Por outras palavras, o desporto é uma atividade que visa a homeostasia sociocultural – providenciar meios exógenos ao organismo
para encontrar formas de potenciar uma mais eficiente regulação química do seu interior.
Keywords
desporto, problema corpo-mente, ginástical., educação física, homeostasia sociocultura
Document Type
Doctoral thesis
Publisher Version
Dataset
Citation
Identifiers
TID
101575106
Designation
Tese de Doutoramento em História.
Access Type
Open Access