Direito eleitoral e direitos fundamentais: a crise de representatividade popular nas democracias brasileira e portuguesa
Date
2022-01-14
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Portuguese
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O modelo de democracia representativa, centralizado na figura dos partidos, tem sido alvo de
inúmeras críticas. Entre as principais, estão a dissociação entre a vontade popular e as
decisões de cúpulas partidárias, no exercício da representação. A consequência disso é o
crescente descrédito e desconfiança que paira por sobre o sistema político. A presente
pesquisa direciona-se para esta questão visando interpretar, a partir de perspectiva descritiva e
de uma análise bibliográfica/documental de conceitos como Estado, democracia, partidos
políticos e representatividade, o atual estado das democracias representativas, regime
amplamente distribuído no ocidente, e sua colisão ou não com o princípio da soberania
popular. O termo político de Estado, é uma concepção moderna que sucede várias outras
formações políticas gestadas, praticadas e desmanteladas de maneira não uniforme ao longo
da história. A Modernidade, com estabelecimento de diversos reinos, a separação entre Estado
e Igreja, oferece elementos concretos para a construção do conceito de Estado. Um destes é a
estreita ligação com o Direito, com este último estabelecendo-se como requisito para
institucionalização e manutenção do Estado. A relação Estado x Direito dirige-se a uma
construção de legitimação do poder, a discussão sobre Direitos Fundamentais e os conceitos
de Democracia enquanto parte desse. Uma das facetas desta discussão repousa no sistema
eleitoral representativo. Pensado como forma de superação das dificuldades impostas pelo
contínuo crescimento demográfico e rejeição de um modelo segregacional, este permitiu o
protagonismo dos partidos políticos na esfera pública, não sem críticas sobre como a
representação pode de fato refletir o interesse do povo. No Brasil, partidos políticos
apresentam-se enquanto pessoas jurídicas de Direito Privado, com finalidade de assegurar,
dentro do regime democrático, a autenticidade do sistema representativo e defender os direitos
fundamentais previstos na Constituição Federal, sendo apenas por intermédio da filiação
partidária que se há a possibilidade de acesso a cargos eletivos. Já em Portugal, partidos
constituem-se enquanto associações de cidadãos, com objetivos de modelação do estado e
expressão da vontade popular. Diferente do caso brasileiro, há previsão de ocupação certos
cargos eletivos sem a necessidade de filiação partidária. Embora os diversos partidos
apresentem-se enquanto expressões da vontade popular, processos internos de escolha e
gestão dos partidos apresentam-se limitados quanto a participação dos seus filiados,
refletindo-se em estatutos partidários com estrutura democrática estreita. Nos casos brasileiro
e português, apesar das diferenças nas cartas constitucionais, os sistemas democráticos
internos partidários são semelhantes e merecem serem aperfeiçoados. Como forma de mitigar limitações de representatividade, ferramentas como o plesbicito e o referendo são
apresentados sem possuírem utilização estritamente definida e nem utilização frequente, não
obstante seus visíveis benefícios à democracia. Como tentativa de superar a crise de
representatividade, a proposição de candidaturas sem o intermédio de partidos políticos
apresenta-se como alternativa destacada para a situação. Ferramenta prevista em Portugal,
mas ainda não presente na legislação brasileira, a candidatura avulsa pode proporcionar
mudanças significativas no sistema representativo, readquirindo a significância e o crédito
junto à população.
Keywords
Democracia, Representatividade, Partidos Políticos, Sistema Eleitoral
Document Type
Master thesis
Publisher Version
Dataset
Citation
Identifiers
TID
202910032
Designation
Mestrado em Direito. Ciências jurídicas
Access Type
Open Access