Aquecem as brasas a sul da Europa

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2016

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OBSERVARE. Universidade Autónoma de Lisboa
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Portuguese

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A Europa, desde o início desta década, tem sentido o calor das convulsões sociais ocorridas nas suas fronteiras, no arco que vai da Síria a Marrocos. Algumas metamorfosearam-se em movimentos de dissidência política e nenhum destes confluiu numa democracia, apesar de a Tunísia ter enveredado por um processo de transição democrática. Já na Síria as reclamações sociais conduziram a caminhos não almejados. A leste, os eventos na Ucrânia tentam desviar-lhe a atenção do que se passa a sul, mormente na Líbia e no Iémen, sem esquecer a Síria e o Iraque. O leste e o sueste preocupam mais a Europa não mediterrânica do que o sul, pelos fluxos de refugiados que podem surgir, pela atração de simpatias de uma juventude europeia inconformada com o presente, pelo retorno de guerreiros desiludidos com o que descobriram na pátria adotiva e com o que estes podem provocar nas suas pátrias de berço, à procura do Armagedão, acreditando em hermenêuticas desfocadas. Tudo no pressuposto de que a continuidade territorial é uma via de contágio mais temível do que o Mediterrâneo, visto como um fosso de difícil transposição. Mas a realidade não confirma essa visão, e a borda norte desse mar, para além de preocupada com o leste e o sueste, pelas mesmas razões se preocupa com o sul, ciente de que o Mediterrâneo é uma ponte entre margens. Tais apreensões obrigam-na a estar atenta ao Iémen e à Líbia, sem se alhear da Síria, do Iraque e da Ucrânia. Vejamos porquê.

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Europ, Convulsões sociais

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