Tráfico de seres humanos: a tutela político-criminal

Date

2023-05-11

Embargo

2026-05-15

Coadvisor

Journal Title

Journal ISSN

Volume Title

Publisher

Language
Portuguese

Research Projects

Organizational Units

Journal Issue

Alternative Title

Abstract

A violação da dignidade, da liberdade, da igualdade, da autonomia e da saúde da pessoa humana, de um lado, e a criminalidade marcada pela diversidade de vítimas e agentes de crime, pela pluralidade do modus operandi e pela dispersão espácio-temporal do delito, de outro, representam bem a complexidade subjacente ao tráfico de seres humanos e, como tal, tem merecido a apelidação corrente de escravatura pós-moderna. Estamos diante de um fenómeno criminológico que tem consubstanciado um autêntico desafio às autoridades competentes e, em certa medida, tem colocado à prova o ius puniendi dos Estados, razão pela qual fixamos a investigação na tutela político-criminal do tráfico de seres humanos. Reconhecemos que o quadro principiológico de Direitos Humanos sedimentado na esfera jurídica internacional após a Segunda Guerra Mundial – em especial, a aprovação da Declaração Universal dos Direitos Humanos, da Convenção Europeia dos Direitos Humanos e, no quadro da União Europeia, dos sucessivos Tratados – é responsável pela edificação da Convenção de Palermo (e, em especial, do Protocolo Adicional relativo ao Tráfico de Pessoas), da Convenção de Varsóvia e da Diretiva 2011/36/EU, que dão forma, hoje e na conjuntura ocidental, a uma moldura político-criminal supranacional robusta e indispensável para prevenção e repressão do tráfico de seres humanos. Por via do referido quadro político-criminal supranacional, assistimos a uma evolução no ordenamento jurídico português, desde a arquitetura e desígnios da política criminal até às sucessivas transformações no âmbito do direito penal. Detalhando, identificamos as valias e os obstáculos à concretização da política criminal, verificamos o teor intrincado da norma incriminadora (guiados pela visão pentagonal do conceito de crime e levando em conta os vários subtipos que a mesma alberga), assinalamos as conflituosidades na relação concursal com tipos de crime contíguos, escrutinamos a (in)adequação processual às especificidades da criminalidade (sobretudo, no que concerne à criminalidade organizada transnacional) e observamos os desafios da adaptação penitenciária ao fenómeno criminológico. Recorremos, ainda, à apreciação da norma incriminadora do tráfico de seres humanos vigente em diferentes Estados, de modo a apurar os progressos e insuficiências do atual preceito português.A final, ambicionamos aferir a (in)eficiência do modelo vigente, quer na devida proteção e reparação da vítima, quer na efetiva responsabilização do agente do crime (singular ou coletivo), para a apontar caminhos de otimização ou de prevenção a seguir em alterações políticocriminais e penais in futurum. De todo modo, adiantamos que a tutela no âmbito do tráfico de seres humanos deve cruzar uma política criminal com um direito penal material, processual e penitenciário, assentes na dignidade da pessoa humana, por forma a proteger a fragilidade da vítima, enquanto a persecução criminal é viabilizada por critérios estritamente necessários, proporcionais e adequados, num quadro de direitos fundamentais que assistem a todas as pessoas humanas.

Keywords

tráfico de seres humanos, política criminal, direito penal, direitos humanos.

Document Type

Doctoral thesis

Publisher Version

Dataset

Citation

TID

101664214

Designation

Tese de Doutoramento em Direito
Access Type

Open Access

Sponsorship

Description