Discriminação algorítmica e direitos humanos. Desafios jurídicos na era da inteligência artificial.
Date
2026-07-22
Embargo
2029-07-26
Authors
Advisor
Journal Title
Journal ISSN
Volume Title
Publisher
Language
Portuguese
Alternative Title
Abstract
Em uma era marcada pela automatização das decisões e pela centralidade dos dados,
compreender o modo como os algoritmos moldam a vida social tornou-se uma tarefa urgente.
Esta pesquisa parte do reconhecimento de que a inteligência artificial, embora construída sob o
ideal de objetividade, não está imune às desigualdades que estruturam a sociedade. O estudo
investiga, assim, como o viés algorítmico, entendido como a reprodução de assimetrias raciais,
de gênero e socioeconômicas por sistemas automatizados desafia a efetivação dos direitos
humanos e a concretização dos princípios constitucionais da igualdade e da dignidade da pessoa
humana. A pesquisa desenvolveu uma análise interdisciplinar, unindo fundamentos técnicos,
éticos e jurídicos, para compreender de que forma a arquitetura dos sistemas de inteligência
artificial pode tanto reforçar quanto mitigar discriminações. Adotou-se uma abordagem
qualitativa e exploratória, combinando revisão documental, análise de casos empíricos e exame
comparativo de experiências regulatórias no Brasil, em Portugal e na União Europeia. O
objetivo geral consistiu em examinar os impactos do viés algorítmico sobre a justiça social e
propor diretrizes de governança que conciliem inovação tecnológica e proteção de direitos
fundamentais. De modo específico, buscou-se identificar os mecanismos técnicos que originam
os vieses, avaliar seus efeitos concretos nas esferas pública e privada e discutir instrumentos
capazes de prevenir e corrigir distorções discriminatórias. Os resultados demonstram que o viés
algorítmico emerge da convergência entre dados enviesados, decisões de design e ausência de
diversidade nas etapas de desenvolvimento e validação dos sistemas. Constatou-se que soluções
restritas ao plano técnico, como ajustes estatísticos, não bastam para enfrentar um fenômeno
que é, antes de tudo, social e político. A análise revelou que princípios como transparência,
explicabilidade, auditorias independentes e experimentação regulada, inclusive por meio de
sandbox e Zonas Livres Tecnológicas, como as previstas no Decreto Lei n.º 67/2021 em
Portugal, precisam ser incorporados como requisitos estruturais da governança algorítmica,
permitindo o controle humano significativo e a responsabilização efetiva de agentes públicos e
privados. Verificou-se, ainda, que os marcos regulatórios contemporâneos, a exemplo do AI
Act europeu, Lei Geral de Proteção de Dados, do Regulamento Europeu de Proteção de Dados
e das diretrizes éticas da UNESCO, oferecem referenciais importantes, mas permanecem
insuficientes diante da complexidade das aplicações de inteligência artificial e da carência de
mecanismos institucionais de fiscalização. Diante disso, o estudo propõe a construção de
políticas integradas que aliem regulação jurídica, cultura ética e desenvolvimento técnico, de
modo a transformar a inteligência artificial em instrumento de promoção de justiça social e
igualdade substancial.
Keywords
viés algorítmico, direitos fundamentais, governança da inteligência artificial, discriminação algorítmica
Document Type
masterThesis
Publisher Version
Dataset
Citation
Identifiers
TID
...
Designation
Dissertação de Mestrado em Direito. Ciências jurídicas
Access Type
Embargoed Access