Construir a nova E(vo)ra — Cidade, Processo e Desenho de Állvaro Siza [Caderno 3/77]

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2026

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Portuguese

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Em projetos como a Malagueira — um processo de grande escala e complexidade — Álvaro Siza, a partir do desenho, num caderno [de capa vermelha] que o acompanhou para uma viagem a Évora, iniciou uma exploração sobre a cidade, sobre a estrutura da paisagem e da lógica das pré-existências, desenvolvendo uma delineação de organização, capaz de se transformar e de crescer ao longo do tempo — fazendo, inclusive, algumas referências e anotações sobre a natureza nos seus cadernos —, em vez de impor diretrizes ou matrizes rígidas e inquebráveis. Este tipo de abordagem indicia uma possibilidade de ilustração uma questão mais ampla: de que modo pode a arquitetura envolver-se com a complexidade da cidade através de intervenções atentas e orientadas pelo contexto, em vez de recorrer a teorias urbanas? Outras questões tornam-se igualmente relevantes, integrando-se numa discussão mais abrangente, que conduz a problemas mais específicos: como desenhar a cidade e qual a relação entre o ser humano e a natureza? Que relações se estabelecem entre o ambiente construído, a habitação e o direito à cidade? Qual é o papel do espaço público na vida coletiva? Poderão estas interrogações constituir ferramentas para um princípio estrutural no desenho da cidade? Assente em sucessivas análises in situ dos cadernos de Álvaro Siza — integrados na coleção da Drawing Matter —, no contacto direto com o Caderno 3/77, na análise de documentação não publicada e entrevista com o arquiteto, este caderno é examinado enquanto exercício explícito de destilação de pensamento sobre a cidade e a paisagem. Mais do que um simples repositório de desenhos, constitui um instrumento de trabalho através do qual observação (aproximação), experiência e projeto se articulam. Assim, este caderno pode ser entendido como o registo de um processo que emerge do encontro com o lugar. Através do desenho, da escrita e da observação que promove interrogações, Siza procura compreender as condições específicas do território, transformando a experiência direta numa estrutura conceptual capaz de orientar o desenvolvimento do projeto. O caderno revela, assim, não apenas a génese formal de uma proposta arquitetónica, mas também um modo de pensar e construir relações entre paisagem, cidade e habitação. Ao observar com cuidado certos momentos — ainda que em sequência —, para além da análise dos elementos desenhados, torna-se igualmente importante considerar os textos escritos nas primeiras páginas. Procura-se, deste modo, depurar estes vestígios, ver em conjunto a considerações organizadas e refletir sobre o seu valor enquanto possibilidades de transformação e de construção. Concebido em 1977, [o Caderno 3/77] encontra-se hoje fragmentado, não estando preservado no seu formato original, mas antes organizado como um conjunto de páginas soltas, com a devida aprovação do autor. Nesse sentido, este ensaio visual procura recuperar as representações documentadas há cerca de cinquenta anos, restituindo o caderno enquanto conjunto coeso. Para tal, apresentam-se a capa e as primeiras oito páginas, de modo a observá-lo como um corpo único — isto é, na sua configuração original. Vistas em conjunto, estas páginas oferecem um relato particularmente significativo sobre o modo como a arquitetura é concebida —ou seja, sobre o processo através do qual uma nova cidade (e quiçá uma nova era) é desenhada.

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Álvaro Siza, Caderno, Desenho, Processo, Cidade, Arquitetura, Évora.

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