Burnout e engagement: as boas relações podem evitar a síndrome?
Date
2024-06-03
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Portuguese
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É fundamental priorizar o aprimoramento do serviço público, não apenas em termos
técnicos dos colaboradores, mas também em suas habilidades emocionais e interpessoais (Pereira
& Silva, 2011). Pesquisas indicam que intervenções que visam desenvolver as competências
psicológicas e comportamentais têm um impacto positivo na redução do absenteísmo e
proporcionam benefícios financeiros para a instituição (Luthas, Avey, Avolio, Norman & Combs,
2006).
A civilidade no ambiente de trabalho abrange um conjunto de comportamentos e valores
que refletem relacionamentos harmoniosos e respeitosos entre os indivíduos em nossa comunidade.
Além disso, está associada à habilidade de se comunicar de maneira eficaz, demonstrar empatia,
respeitar as diferenças e agir de forma ética (Alderfer, 1972; Schein, 1992). Em contraste, o
comportamento incivil é identificado como uma forma de violência no local de trabalho, sendo
intencional e podendo se manifestar por meio de palavras ou ações. Esses atos reativos têm um
impacto negativo nos usuários e clientes das organizações (Jaarsvel, Walker, & Skarlicki, 2010).
A sobrecarga de trabalho combinada com recursos limitados pode levar ao desenvolvimento
do burnout. Estudos têm mostrado que pessoas expostas a altas demandas de trabalho, com carga
excessiva e pressão de prazos, têm maior probabilidade de experimentar exaustão emocional e
despersonalização. Por outro lado, recursos organizacionais, como autonomia, apoio social e
feedback positivo, estão relacionados a níveis mais baixos de burnout (Schaufeli et al., 2002). Se
por um lado o esgotamento está correlacionado à perda do sentido e ao distanciamento das relações
interpessoais no trabalho, o engagement é o oposto positivo, caracterizado pela energia, dedicação
e absorção relacionados à ocupação (Shuck & Wollard, 2010).
O presente estudo buscou verificar se ambientes com relações interpessoais cíveis (com
urbanidade, respeito mútuo e cooperação) promovem engagement dos trabalhadores e se condições
incivis de trabalho (comportamentos rudes e insensíveis que violam regras e boas práticas de
relacionamentos grupais) promovem burnout nos trabalhadores.
Para mensurar o impacto das relações pessoais nas condições de trabalho, a versão brasileira
da Workplace Civility Scale (WCS; Osatuke et al., 2009), a escala geral de Incivilidade no Trabalho
(Andrade, Matos, Lobianco & Broseguini, 2020), a Burnout Assesment Toll (BAT) através da
versão adaptada para o Brasil (Sinval, Vazquez, Hutz, Schaufeli, & Silva, 2022) e a versão adaptada
ao Brasil da Escala Utrecht de Engajamento no Trabalho – UWES foram aplicadas. A amostra contou com 188 participantes do serviço público brasileiro. Além disso, junto às escalas, houve a
aplicação de um questionário sociodemográfico.
Os resultados do estudo demostram que a civilidade tem um efeito positivo sobre o
engagement dos servidores, enquanto a incivilidade correlaciona-se de forma positiva com o
burnout. De forma geral, o estudo não conseguiu encontrar dados suficientes que apontem para
alguma influência no teletrabalho no esgotamento dos trabalhadores. Contudo, em análises
exploratórias, foi possível encontrar correlações significativas entre número de filhos e burnout.
Além de apontar maior engagement para servidores que ocupam cargo de chefia.
Keywords
Civilidade, incivilidade, burnout, engagement, teletrabalho, servidores públicos
Document Type
masterThesis
Publisher Version
Dataset
Citation
Identifiers
TID
203659252
Designation
Dissertação de Mestrado em Psicologia. Psicologia clínica e de aconselhamento