Burnout e engagement: as boas relações podem evitar a síndrome?

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Abstract

É fundamental priorizar o aprimoramento do serviço público, não apenas em termos técnicos dos colaboradores, mas também em suas habilidades emocionais e interpessoais (Pereira & Silva, 2011). Pesquisas indicam que intervenções que visam desenvolver as competências psicológicas e comportamentais têm um impacto positivo na redução do absenteísmo e proporcionam benefícios financeiros para a instituição (Luthas, Avey, Avolio, Norman & Combs, 2006). A civilidade no ambiente de trabalho abrange um conjunto de comportamentos e valores que refletem relacionamentos harmoniosos e respeitosos entre os indivíduos em nossa comunidade. Além disso, está associada à habilidade de se comunicar de maneira eficaz, demonstrar empatia, respeitar as diferenças e agir de forma ética (Alderfer, 1972; Schein, 1992). Em contraste, o comportamento incivil é identificado como uma forma de violência no local de trabalho, sendo intencional e podendo se manifestar por meio de palavras ou ações. Esses atos reativos têm um impacto negativo nos usuários e clientes das organizações (Jaarsvel, Walker, & Skarlicki, 2010). A sobrecarga de trabalho combinada com recursos limitados pode levar ao desenvolvimento do burnout. Estudos têm mostrado que pessoas expostas a altas demandas de trabalho, com carga excessiva e pressão de prazos, têm maior probabilidade de experimentar exaustão emocional e despersonalização. Por outro lado, recursos organizacionais, como autonomia, apoio social e feedback positivo, estão relacionados a níveis mais baixos de burnout (Schaufeli et al., 2002). Se por um lado o esgotamento está correlacionado à perda do sentido e ao distanciamento das relações interpessoais no trabalho, o engagement é o oposto positivo, caracterizado pela energia, dedicação e absorção relacionados à ocupação (Shuck & Wollard, 2010). O presente estudo buscou verificar se ambientes com relações interpessoais cíveis (com urbanidade, respeito mútuo e cooperação) promovem engagement dos trabalhadores e se condições incivis de trabalho (comportamentos rudes e insensíveis que violam regras e boas práticas de relacionamentos grupais) promovem burnout nos trabalhadores. Para mensurar o impacto das relações pessoais nas condições de trabalho, a versão brasileira da Workplace Civility Scale (WCS; Osatuke et al., 2009), a escala geral de Incivilidade no Trabalho (Andrade, Matos, Lobianco & Broseguini, 2020), a Burnout Assesment Toll (BAT) através da versão adaptada para o Brasil (Sinval, Vazquez, Hutz, Schaufeli, & Silva, 2022) e a versão adaptada ao Brasil da Escala Utrecht de Engajamento no Trabalho – UWES foram aplicadas. A amostra contou com 188 participantes do serviço público brasileiro. Além disso, junto às escalas, houve a aplicação de um questionário sociodemográfico. Os resultados do estudo demostram que a civilidade tem um efeito positivo sobre o engagement dos servidores, enquanto a incivilidade correlaciona-se de forma positiva com o burnout. De forma geral, o estudo não conseguiu encontrar dados suficientes que apontem para alguma influência no teletrabalho no esgotamento dos trabalhadores. Contudo, em análises exploratórias, foi possível encontrar correlações significativas entre número de filhos e burnout. Além de apontar maior engagement para servidores que ocupam cargo de chefia.

Keywords

Civilidade, incivilidade, burnout, engagement, teletrabalho, servidores públicos

Document Type

masterThesis

Publisher Version

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TID

203659252

Designation

Dissertação de Mestrado em Psicologia. Psicologia clínica e de aconselhamento

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