A cidade e os rios. Cartografias para uma cidade hídrica
Date
2026-01-23
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Portuguese
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Lisboa é uma cidade feita de água. O Tejo não foi apenas cenário, mas condição de possibilidade: porto seguro, motor de expansão, espelho de ambições globais. Durante séculos, a cidade e o rio viveram numa relação de interdependência, em que a água alimentava hortas, movia moinhos, fazia navegar barcos e sustentava vidas.
Hoje, porém, esse elo perdeu-se. O Tejo, que outrora unia margens e territórios, tornou-se fornteira. A sua travessia diária - por pontes, comboios ou barcos - deixou de ser experiência de encontro e transformou-se em rotina mecânica. A água, reduzida a ameaça ou obstáculo, desapareceu da vida urbana.
Esta tese interroga esse afastamento. Dois territórios servem de laboratório: a várzea de Loures, marcada pelo Rio Trancão, e o Barreiro, moldado pelo Tejo e pela memória industrial. Neles, a presença da água sobrevive em ruínas, canais escondidos, salinas abandonadas, esteiros soterrados. Fragmentos que resistem como fósseis de uma paisagem esquecida.
O desafio que aqui se coloca à Arquitetura não é o de controlar, entubar ou domesticar, mas o de reativar. Ler cartografias, reconhecer permanências, reinterpretar memórias: só assim será possível devolver à água um papel ativo na construção da cidade.
A proposta é clara: transformar Lisboa numa verdadeira cidade-água. Uma cidade onde a adaptação às cheias não seja apenas gestão de risco, mas oportunidade de regeneração urbana; onde a água não seja apagada sob aterros, mas incorporada no espaço público; onde habitar volte a significar conviver com os ritmos do rio.
Keywords
Água, Área Metropolitana de Lisboa, Rio Tejo, Rio Trancão
Document Type
masterThesis
Publisher Version
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TID
204211948
Designation
Dissertação de Mestrado Arquitectura