“Sobre o Conceito de Relação": última lição de Luís Moita

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2026-04

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Portuguese

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Este tema que eu aqui estou a aflorar convosco suscita, até quem sabe, um debate filosófico interessantíssimo. E há aqui alguns filósofos ilustres, que eu espero não me envergonhar perante eles, que é, digamos, o que é que é primeiro? É a essência ou é a relação? É a substância ou é a relação? Este é um debate que vem desde Aristóteles, passa por Spinoza e muitos outros. Para se centrar nesta dúvida que é assim, o que há é uma substância que se relaciona com outra substância. E, portanto, a relação é episódica, é um acidente. Um acidente de percurso. E se o contrário fosse mais verdade? Se a relação fosse anterior à própria substância? Se fosse a relação que desse consistência às coisas na sua própria natureza? Aqui, mais uma vez, se invertem os termos previsíveis da nossa equação, porque, reparem, a relação é sempre uma coisa frágil, é um vai-vem, é um fluxo, pode-se perder, podese degradar. E, no entanto, não obstante a sua fragilidade, é ela que dá consistência às coisas e, portanto, a nós próprios como seres que vivemos em relação. Portanto, para além do seu efêmero, para além do seu vai-vem, a relação é fonte de consistência. Luís Moita

Keywords

Luís Moita, Relações Internacionais, Filosofia, Humanismo

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