A inteligência artificial aplicada às decisões judiciais
Date
2026-06-18
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Portuguese
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O presente trabalho trata de forma específica da aplicação da Inteligência Artificial
no âmbito dos processos judiciais, sendo mais especificamente no seu produto principal, ou
seja, nas suas decisões (despachos, decisões interlocutórias, sentenças e acórdãos). Por sua
vez, o objetivo geral da presente tese reside na tentativa de construção de uma proposição
normativa que crie condições de possibilidade para promoção do trinômio liberdadeproteção-
justiça no uso da Inteligência Artificial nos processos judiciais. Para tanto,
utilizou-se na metodologia de abordagem o método hipotético-dedutivo e o método
dedutivo; na metodologia de procedimento, os métodos comparativo e de estudo de caso; e
como técnica de pesquisa, revisões bibliográfica, legislativa e documental. Na esteira
concatenação de ideias, foram produzidas diversas conclusões-premissa a fim estruturar as
conclusões-fim. Dentre as conclusões-premissa mais relevantes estão a compreensão de que
(a.i) os algoritmos de dados não são presumidamente neutros; (a.ii) que não há um vazio
normativo, ao invés, que a legislação posta é ampla e capaz de regular inclusive os avanços
da IA, tanto a Fraca quanto a Forte; (a.iii) que os debates sobre a responsabilidade civil
seriam, aqui, secundários ao objetivo da tese; (a.iv) que há a necessária estruturação do
desenvolvimento da IA em suas cinco grandes escolas; (a.v) que o avanço da IA tem sido
prevalente no campo das correntes estatísticas e não nas lógicas; (a.vi) que a Justiça
Preditiva é gênero do qual são espécies a Jurisprudência Preditiva e a Prognose Judicial; e
que a (a.vii) não demonização dos algoritmos e da IA é medida que se impõe. Por
conseguinte, as conclusões definitivas foram elencadas em dezoito tópicos, dentro da
incidência da IA tanto no plano processual penal quanto civil, enfatizando-se, sobretudo,
(b.i) que não se vislumbra qualquer ilegalidade na sua utilização como mecanismo de
auxílio ao julgador no seu processo decisório; (b.ii) que a constitucionalidade de qualquer
sistema de IA nos processos judiciais passa de forma imprescindível pelo não uso de
determinismo social e biológico ou qualquer outra forma de manutenção de discriminações;
(b.iii) que a fundamentação-motivação e o duplo grau de jurisdição são os mecanismos de
proteção direta ao enviesamento; (b.iv) que a estabilidade das decisões judiciais é
fundamental para que a sociedade se conecte com a liberdade igual, enquanto princípio
primeiro da sociedade proposta na esteira da teoria de Rawls; (b.v) que o avanço da IA
reabrirá um espaço de protagonismo a doutrina frente à jurisprudência; (b.vi) que, em
conclusão final, o uso das ferramentas preditivas como instrumento de apoio ao julgador,
observadas as condicionantes apresentas, coloca-se como fonte de equidade das decisões
judiciais e, por conseguinte, como garantidora das liberdades fundamentais nos casos
assemelhados; (b.vii) que, na esteira de Rawls, o uso das ferramentas de IA como
instrumento de conformação da decisão judicial tem, portanto, um papel de criar os
caminhos para construir a superação das instabilidades sociais, dado que a interpretação
pública legítima das leis exige a criação de um padrão para casos assemelhados; (b.viii) que
a utilização das ferramentas de Justiça Preditiva para auxiliar o julgador no seu processo
decisório podem seguir a lógica da justiça procedimental pura visando construir um meio
para que as respostas sejam justas em virtude da correção do procedimento.
Keywords
Inteligência Artificial, Justiça Preditiva
Document Type
doctoralThesis
Publisher Version
Dataset
Citation
Identifiers
TID
101693184
Designation
Tese de Doutoramento em Direito