A musealização da sobralidade: património colonial, silenciamento epistémico e perspectivas decoloniais no Museu Dom José, Sobral, Ceará (1951-2015)
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2026-08-06
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Universidade Federal da Bahia (UFBA)
Language
Portuguese
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O presente artigo examina a trajetória do Museu Dom José (MDJ), em Sobral, Ceará,
Brasil, entre 1951 e 2015, problematizando a construção de uma narrativa identitária de
“sobralidade” permeada por subjetividades coloniais, patriarcais, racistas e elitistas. A
investigação demonstra como a musealização do patrimônio no MDJ operou seletivamente,
configurando um silêncio epistêmico sistemático que negou às comunidades subalternizadas
de Sobral sua condição de sujeitos históricos legítimos. Integrando a análise historiográfica de
Melo Filho (2023), os dados empíricos sobre a experiência dos públicos de Melo Filho (2025)
e o modelo analítico de produção de sentido de Dufresne-Tassé (2023), o artigo mostra como
a injustiça epistêmica perpetuada pelo MDJ deixa de ser tese normativa e ganha lastro empírico
como fratura de recepção esperável. Recorrendo à teoria da colonialidade do poder (QUIJANO,
2000), ao conceito de “império cognitivo” de Ndlovu-Gatsheni (2020), à crítica da violência
material dos museus coloniais (HICKS, 2020) e aos estudos de curadoria pós-colonial ibérica
(GARRIDO CASTELLANO; LEITÃO, 2022; PERALTA, 2022), propõe uma agenda
decolonial e participativa para a renovação do MDJ, orientada pelos princípios da museologia
biófila (SOUZA CHAGAS, 2012) e da liberdade epistêmica como direito comunitário.
Keywords
Museu Dom José, decolonialidade, liberdade epistêmica, produção de sentido, estudo de públicos.
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