A família das crianças na separação dos pais: a guarda compartilhada, o conflito e o abandono parental
Date
2016-02-01
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Portuguese
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Este trabalho parte de uma experiência vivida como Juiz de Direito nos
Tribunais portugueses, no essencial, na jurisdição especializada de Família e Menores
desde 2005, e em concreto na área das responsabilidades parentais, onde se assiste a um
clima de permanente de disputa em torno e pelos filhos, que os reconduz à condição de
objeto do processo, e que expressa bem o fim da sua família, tudo com importantes
consequências negativas no seu desenvolvimento e saúde. Com um conjunto de
paradigmas sobre a matéria substantiva e processual, os casos, e em especial a partir das
declarações das crianças, na procura de respostas para esta realidade, nasceram
paradoxos, que determinaram o afastamento de um conjunto de princípios, tais como o
da ‘preferência maternal para crianças de tenra idade’ e a ‘pessoa de referência’, afinal
estereótipos, que visam escolher um dos pais (normalmente a mãe) em detrimento do
outro, e não na construção de soluções de partilha de responsabilidades.
Na construção de um novo paradigma, o processo, consensual, oral,
simplificado, e com intervenção das crianças, foi assumido como caminho para a (re)
construção da família das crianças, como espaço de crescimento pessoal e de
ajustamento, colocando os pais em igualdade, sem estereótipos, elevando a criança à
condição de pessoa com direito a ter pai e mãe na sua vida, e com o objetivo de
ultrapassar os conflitos e abandonos parentais.
Nesse caminho, a guarda compartilhada assume-se como essencial, partindo-se
de uma posição pessoal como Juiz de rejeição da figura, para a sua consagração como o
melhor dos regimes, mesmo quando existem conflitos ou abandonos, onde é usado
como um dos meios para os ultrapassar, solução construída através dos casos concretos
tramitados, e depois aprofundada pelos conhecimentos interdisciplinares.
Será por força da construção desses ambientes empáticos e com vinculação
segura a ambos os pais que a criança manterá a sua família parental, numa relação
tripartida, e efetuará assim um desenvolvimento de acordo com o seu superior interesse.
Keywords
Responsabilidades parentais, Pessoa de referência, Preferência maternal, Conceitos indeterminados, Superior interesse da criança, Processo voluntário, Simplificação processual, Princípio da oralidade, Audição da criança, Vinculação, Paradigma emocional, Conflito e abandono parental, Guarda exclusiva, Guarda conjunta, Guarda Alternada, Guarda compartilhada, Família parental, Relação tripartida.
Document Type
Master thesis
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TID
201028646
Designation
Access Type
Open Access