O estatuto jurídico dos “cidadãos invisíveis”: o longo caminho para a plena cidadania das pessoas com deficiência
Date
2013-06-04
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Portuguese
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A partir da década de 70, as pessoas com deficiência surgiram como cidadãos com
direitos iguais a todos os restantes, com direito a oportunidades iguais para o exercício pleno
da cidadania, com direito à autonomia e à autodeterminação, passando a entender-se que era a
sociedade que devia adaptar-se, que devia garantir o pleno exercício e gozo dos direitos das
pessoas com deficiência, que devia derrubar as várias barreiras que impediam as mesmas de
também participarem activamente na tomada de decisões.
Esta mudança de paradigma permite questionar se o ordenamento jurídico interno não
possui uma dimensão de discriminação, nomeadamente ao permitir a existência de pessoas
que se encontram impedidas de exercer e gozar plenamente os seus direitos civis, políticos,
económicos, culturais e sociais. Permite demandar se as pessoas com deficiência, que têm
constituído um grupo “invisível” e silenciado, mas que constituem cerca de 10% da
população, não permanecem excluídas da sociedade.
Por isso, propomo-nos contribuir para o conhecimento do estatuto jurídico das pessoas
com deficiência, identificar os princípios e valores da Comunidade Internacional e da União
Europeia e os direitos fundamentais materiais deste grupo, descobrir o quadro interpretativo
que exige a construção de um direito não excludente -- com especial ênfase pelo respeito da
dignidade da pessoa humana – a fim de ser possível compreender se, existindo um real défice
de cidadania, ele estará também relacionado com uma incompleta ou inadequada política
legislativa.
Assim, percorreremos o regime jurídico interno, analisando e identificando princípios
basilares, direitos individuais e direitos que possuem um cariz social. No primeiro grupo,
estão incluídos o princípio da autonomia, o direito à autodeterminação e à igualdade de
oportunidades, o direito à diferença e a consagração da responsabilidade cívica de todos, o
direito à implementação de políticas de mainstreaming, o direito à solidariedade, à igualdade
de direitos com as restantes pessoas, à não discriminação e ao exercício de todos os direitos, o
direito a uma cidadania plena onde possam as pessoas com deficiência desempenhar um papel
activo nas actividades da sociedade, o direito ao reconhecimento das acções positivas e o
direito das associações, organizações e outras entidades representativas das pessoas com
deficiência a serem ouvidas na elaboração da legislação e na implementação das políticas. No
segundo e terceiro grupos, são identificáveis, em especial, o direito ao livre desenvolvimento
da personalidade e a condições dignas de detenção, o direito ao trabalho e ao ensino inclusivo, à protecção social adequada, o direito ao casamento, a constituir família, à maternidade e
paternidade e à vida sexual também das pessoas com deficiência mental ou intelectual.
Procederemos a uma abordagem centrada nos direitos das pessoas com deficiência
balizada pelos princípios e direitos fundamentais, tendo por base o respeito pela diversidade
humana e a criação de condições para a mesma “.::Contra a discriminação pela igualdade de
direitos::.1"
Keywords
Inclusão, igualdade, diversidade, autodeterminação
Document Type
Doctoral thesis
Publisher Version
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TID
101341105
Designation
Access Type
Open Access