Cosmovisão e biomedicina na Guiné-Bissau. Leituras à depressão
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2015-06-03
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Portuguese
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As representações das doenças, assim como, a forma como doentes e familiares experienciam
estes episódios, é um tema muito rico e interessante, que tem merecido a atenção de diferentes
áreas científicas. Diversos investigadores têm demonstrado que a vivência e tratamento das
doenças está ancorada na cultura tanto dos pacientes como dos familiares e dos agentes da
saúde. Apesar de este ser um campo bastante estudado a nível internacional, na literatura
portuguesa são ainda escassos os estudos na área da psicologia transcultural. Este foi um dos
grandes desafios para a elaboração deste trabalho, onde se procurou explorar a relação entre a
cultura e a depressão. Para o efeito, conduzimos esta investigação em Bissau, onde o mágico e
a biomedicina têm espaço para interagir no sentido da complementaridade visando a cura do
paciente. Uma amostra de 40 pacientes foi avaliada no que se refere à depressão ( Self
Reporting Questionnaire - SRQ-20) e à perceção cultural da doença (Questionário sobre o
modelo explicativo da doença). Os participantes foram acompanhados na sua vida quotidiana,
de forma a conhecermos e percebermos a sua realidade e dinâmica familiar. Os participantes
foram agrupados pelos diferentes sistemas de tratamento a que recorreram, biomedicina,
psicólogo e curandeiros e 10 optaram por não terem qualquer tratamento. Ao fim de três
meses foram todos novamente avaliados no que se refere à depressão, tendo-se verificado
uma melhoria em relação à depressão em todos os grupos. O grupo que optou pelo tratamento
tradicional, ou seja com curandeiros, foi o que apresentou valore s mais elevados de depressão
em t2, ultrapassando mesmo o grupo que não teve tratamento. Os grupos que optaram pelo
biomédico e pelo psicólogo apresentaram níveis mais baixos de depressão, apesar das
diferenças não serem estatisticamente significativas. Na relação entre religião e depressão
foram encontradas diferenças estatisticamente significativas em t2, sendo o grupo de crenças
cristãs quem apresentou níveis de depressão significativamente mais baixos, comparado com
o grupo muçulmano e o grupo animista. Os resultados indicam que a cultura tem uma forte
influência na perceção da doença, sublinhando a importância da alteração das condições
envolventes, particularmente as relações familiares, para ser possível uma melhoria no estado
psicológico dos pacientes, assim como, que esta melhoria pode acontecer sem a utilização de
antidepressivos. Para finalizar fazemos uma reflexão sobre os resultados obtidos e limitações,
referindo os possíveis contributos deste trabalho para futuras investigações.
Keywords
Cultura, psicologia transcultural, estados depressivos, tratamentos
Document Type
Doctoral thesis
Publisher Version
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TID
101411146
Designation
Access Type
Open Access