Registo Civil – O Estado Atual do Registo de Nascimento em Angola
Date
2015-04-24
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Portuguese
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Abstract
O registo civil cumpre a relevante função de dar conhecimento preciso ao Estado, no
que respeita a saber “quantos somos e quem somos”, bem como simplifica o acesso a
esclarecimentos fiáveis relativamente a dados estatísticos atualizados da população,
indispensáveis a um aumento eficiente dos programas sociais e económicos
desenvolvidos pelo governo, afiançando aos cidadãos a possibilidade de exercer todos
os seus direitos, deveres e obrigações em condições de igualdade.
O objeto do registo civil é conceder publicidade à condição jurídica de pessoas
singulares, através do registo dos factos que integram o estado civil, ou seja, facultar a
qualquer interessado a obtenção da informação sobre os factos registados e,
concludentemente, sobre a situação jurídica das pessoas a que respeitam.
O registo civil cuida de preservar os factos que fundam o estado civil das pessoas
singulares, um estado civil constituído pelo agregado de qualidades jurídicas que o
Código de Registo Civil angolano sujeita a registo.
Esta propriedade determina a atribuição de um acervo de direitos e vinculações, cuja
titularidade ou não titularidade é aspeto essencial da situação jurídica da pessoa. Deste
modo, é o direito positivo que estabelece o critério legal de determinação das situações
jurídicas, que merecem a classificação de fundamentais e, assim, aquelas que se
encontram inscritas no registo civil.
Face ao facto de Angola ter estado sujeita a uma situação de guerra durante décadas, o
resultado foi a assolamento total ou parcial de grande parte das infraestruturas de registo
de civil, bem como a destruição dos seus arquivos.
Atualmente verificamos, que grande parte da população angolana não possui registo de
nascimento, de forma a atestar a sua existência jurídica, o que resulta na não
contabilização destes para as estatísticas do Estado.
A cidadania inicia-se com o registo de nascimento, pretende-se com este que o cidadão
possa exercer totalmente os direitos que lhe competem, imputando-se ao Estado, no
caso de Angola, através do Ministério da Justiça e dos Direitos Humanos, a obrigação
de criar organismos e políticas para a efetivação do direito à identidade, de modo a que o cidadão possa aceder a tantos outros direitos, tais como o direito ao voto, o acesso ao
emprego, à educação, à segurança social, entre outros.
A ausência de registo de nascimento dos cidadãos revela-se extremamente nefasta para
efeitos de estatísticas nacionais, em virtude da impossibilidade de adquirir dados
concretos do número de cidadãos angolanos existentes, assim como da sua filiação o
que, previsivelmente, dificulta ao Estado o acesso a conhecimento fiável sobre estes
números, que permita ampliar os programas sociais e económicos que o governo tem
vindo a implementar e desenvolver, o que redundará na impossibilidade de os cidadãos
exercerem todos os seus direitos, deveres e obrigações em circunstâncias de paridade.
Nesta senda, a nossa investigação tem como objetivo principal, estudar e analisar o
estado atual do registo de nascimento dos cidadãos angolanos. Assim, analisaremos os
fatores influenciadores para a falta de registo de nascimento de tão elevado número de
cidadãos, bem como a importância do referido registo para a sociedade angolana.
Além disso, tentaremos apresentar as medidas tomadas, e a serem tomadas, na tentativa
da eliminação dos diversos constrangimentos existentes para entrada no registo civil, no
sentido do rumo para a normalidade do registo de nascimento em Angola.
Keywords
Registo civil, registo de nascimento, medidas desenvolvidas pelo Governo de Angola
Document Type
Master thesis
Publisher Version
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Citation
Identifiers
TID
201245833
Designation
Mestrado em Direito. Especialidade em Ciências Jurídicas
Access Type
Open Access