Arqueologia Cognitiva e Epidemiologia Cultural. Estudos Aplicados sobre o Fenómeno da Arte Rupestre do Calcolítico
Date
2019-07-18
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Portuguese
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Abstract
A presente tese de doutoramento tem como principal perspetiva partilhar e fornecer
contribuições para superar o impasse conceitual existente na investigação científica da
arte rupestre europeia e internacional; não somente pela falta de abordagens de ideia s
subjetivas, mas pela ausência de um critério metodológico e interpretativo que propõe
novos modelos científicos para a análise e estudo.
Outro aspeto precípuo deste questionamento é a evolução de um discurso com ênfase
na relação entre as gravuras e/ou as pinturas in situ e o seu contexto cultural e
ambiental adjacente e distante (space syntax - sintaxe espacial). Clarificar, por
exemplo, o sentido da concentração, da distribuição, da l ógica do movimento dos
agentes da arte rupestre em Valcamonica e do crescimento do sítio arqueológico em
relação ao seu espaço limítrofe, determinadores da transformação dinâmica de sua
paisagem. A Space Syntax Analysis faz precisamente isto: explora como o Homem
organiza e gere os padrões do espaço concebido em termos morfológicos. Assim,
considerando a arte pré-histórica como “atrativo” presente no território e o seu campo
acometido por outras “regiões nodais”, pode-se determinar a “potencialidade” da área,
expressa no conceito de “potencial espacial”. Ou seja, o grau de concentração da
posição relativa de um elemento no espaço. Este fato justifica a reintrodução do
modelo arqueo-mitológico, efetivado com modernos aparelhos conceituais empregues
nas neurociências, como na memética e na genética cognitivista (epidemiologia), na
classificação das dinâmicas socioeconómicas das sociedades pretéritas, através da arte
pré-histórica e da cultura material.
No intuito de deslindar, com clareza, o tema abordado, foi estabelecido um framework:
a noosfera, entendida como esfera das coisas da mente, dos saberes, das crenças, dos
mitos, das lendas e das ideias. Assumindo que a mente humana desenvolve, desde a
pré-história, formas de inteligência que serão estendidas na praxis (atividade
transformadora e produtora), na téchne (atividade produtora de artefatos) e na teoria
(conhecimento contemplativo ou especulativo) desenvolvem-se reflexões de relação;
por conseguinte, a noosfera representa o elemento aglutinante numa interação integral
entre Natureza e Homo Sapiens. Desta forma, a mente humana abre-se ao mundo
através da racionalidade, do mito, da técnica e da magia, que se traduz no
desenvolvimento da praxis funerária e na prática de outras atividades como a caça e a
pesca. Essa assertiva preconiza o fato de que, cada artefacto da cultura material engloba elementos da noosfera do ser humano (meme) e cada lasca desses pode
emanar insights para engendrar e adicionar novos estímulos na circulação da
informação cultural, talvez distantes no tempo e no e spaço. O meme funciona como
réplica da informação cultural e consequentemente é o elemento construtivo de uma
corrente de ideias. Imbuído de que a arqueologia se torna digna no momento em que
faz uso de métodos lógico -matemáticos apropriados e cientificamente corretos, buscase ser o mais aderente possível a um modelo hipotético -dedutivo-nomológico
(Hypothetic-deductive-nomologic - HDN model); e assim, eliminar a arbitrariedade
contida na interpretação das imagens de mundos antigos, ou seja, a arte pré-histórica,
tal como as mentes humanas a visionaram. Estes insights unificados a dados
arqueográficos, considerados nessas análises, advêm, essencialmente, do projeto
RockCare, que se tornou um campo privilegiado para estudar os modos de pensamento
dos nossos antepassados.
Keywords
arte rupestre, cultura material, epidemiologia cultural, meme,, noosfera, sintaxe espacial
Document Type
Doctoral thesis
Publisher Version
Dataset
Citation
Identifiers
TID
101362986
Designation
Tese de Doutoramento em Direito
Access Type
Open Access