Prefácio / Grafite: fonte documental

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2013

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Dedo de Moças Editora
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Portuguese

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É de grande oportunidade e de intenso relevo a necessidade de um mimetismo geral de caráter sociocultural que se melhore progressivamente, e tão depressa quanto possível, as condições de acesso aos incentivos artísticos e a visibilidade nacional, aos artistas nordestinos, nesse caso especial os grafiteiros. Projeta-se timidamente e com algumas dificuldades o reconhecimento dos grafiteiros nordestinos. É um momento excepcional ou pelo menos inédito nesses lados do país. Espera-se que possa fornecer algumas experiências úteis, de real valor para uma orientação com o fim de promover o melhoramento das experiências artísticas daqui. Todavia, trata-se ainda de um esforço fragmentário, isolado, desarticulado, que deixa prever limitações sérias em algum plano futuro de reunião. Em todo caso a iniciativa é louvável e oportuna. Parece revelar um novo rumo para nortear os nossos enigmas de base artística. Sem dúvida o Nordeste merece estudos artísticos especiais nesse sentido e de outros cuidados – fomento, preservação, memória – visto como se chega ao reconhecimento, cada dia mais positivo e mais geral, da importância do seu potencial humano. Por exemplo, pouco ou quase nada conhecemos sobre a Pedra do Ingá, na Paraíba. Aquele complexo monumento de desenhos e símbolos talvez foi o ponto de partida de uma sociedade de marcadores que tinha o objetivo de “desenhar” os dados sobre o cotidiano e os acontecimentos marcantes daquele momento histórico. O grafiteiro nordestino transforma o feitio de exposição do seu grafite em fonte documental para a demarcação da sua presença, parte da sua história-objeto, “uma maneira de colocar-se no mundo, e acima de tudo, uma escolha de identidade social de um tipo de arte de afirmação pela sua presença, incisiva e direta na vida urbana” (VIANA, 2009:86). Tal maneira de colocar-se no mundo, revela-se como o estilo do grafiteiro. O estilo pode ser visto como o código que revela pertencimento, portanto, revela a presença de grupo. Por tudo isso, o grafite é valioso para o estudo artístico dessa categoria na medida que estará informando mais sobre a cultura do grafiteiro do que sobre ele mesmo. Contudo, o grafiteiro sucinta ser pesquisado, pois o que aparece é sua visão sobre sua cultura, a forma como dela se apropria. Ora, sendo assim, o estilo revela a ideologia de quem grafita. Se pensarmos que a interiorização de ideologia já expressa uma forma de relação com a cultura vivida, devemos tornar a reflexão mais restrita, pois, segundo Alípio de Sousa Filho: Os indivíduos, embora sob o domínio do discurso ideológico em todas as culturas e sociedades, e em todas as épocas históricas, a esse domínio resistem, reinterpretam a realidade, ressignificam códigos, práticas, tornam-se pontos de resistência às formas da dominação e da sujeição que a ideologia visa universalizar e naturalizar, resistência, pois, à própria ideologia enquanto discurso. (SOUSA FILHO, 2011:208)

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