Abandono afetivo inverso e a (in)justiça sucessória. Um estudo no cenário do direito civil comparado
Date
2025-11-10
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Portuguese
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Esta dissertação acadêmica versa sobre uma proposta de adequação da legislação atual, tanto
no Brasil, quanto em Portugal, para lidar com casos que envolvam o abandono afetivo inverso,
o que indica uma falha na proteção legal desta classe etária. Isto principalmente quanto à
ausência do dever de cuidado e de responsabilidade parental, criticando a míngua de
embasamento normativo para responsabilizar aqueles que se omitiram para com os seus,
evitando-se, assim, que continuem a praticar a desídia afetiva e, ainda, sejam “premiados” com
o acervo hereditário daquele a quem abandonou. Atualmente, a rigidez deste rol taxativo conduz
a uma injustiça sucessória e isto necessita ser reavaliado por ambos os ordenamentos jurídicos.
O presente se propõe a analisar a viabilidade, à luz do ordenamento jurídico luso-brasileiro, de
exclusão do sucessor feito indigno por ordem judicial, incluindo no rol legal o abandono em
decorrência do seu descompromisso ou conduta violadora dos deveres de cuidado e afeto para
com o autor da herança, a qual, em circunstâncias hígidas, teria direito graças ao instituto da
Legítima. Ou seja, o abandono afetivo parental, que é uma forma de irresponsabilidade em
relação aos parentes, como a falta do dever de cuidado, deveria ser incluído no rol de
indignidade sucessória. A linha hermenêutica e de pesquisa deste estudo se desenvolveu
principalmente pela via da investigação bibliográfica da legislação de Portugal e do Brasil, além
do direito comparado, do contexto e das perspectivas históricas pretéritas e futuras, à luz da
conceituação jurídica de indignidade e seus fundamentos. Percorre este trabalho, outrossim,
pelo estudo de casos concretos que tramitaram nos Tribunais do Brasil e de Portugal. Em tais,
mesmo que isoladamente, desenharam um crivo de equidade e de justiça nas decisões, com o
reconhecimento da ilegitimidade para suceder em casos particulares não expressamente
previstos na lei. O fito das referidas decisões foi adotar uma hermenêutica diferenciada, mesmo
a despeito do engessamento da letra legal, forte na mantença da taxatividade e pelas concepções
de causas de indignidade sucessória expressas nos sistemas legais brasileiro e português. Na
esteira de uma análise pelo olhar da evolução social e histórica, por conseguinte, esta
dissertação se direciona para a necessidade de ampliar o rol legal (ao menos para possibilitar
uma interpretação extensiva normativa) que regulamenta as hipóteses positivadas de
reconhecimento da indignidade sucessória nos dois países, com o objetivo de fomentar a
discussão sobre a mazela do abandono afetivo inverso. E, neste diapasão, a declaração da
indignidade sucessória por abandono afetivo inverso, quando incluída no rol legal,
instrumentará verdadeira ferramenta punitiva, pedagógica e a serviço da justiça social, a vedar
vi
a vigência de um sistema que premia e recompensa aquele que, imbuído do dever de zelar, com
ele faltou em relação a seus entes.
Keywords
Afeto, indignidade sucessória, idoso, abandono.
Document Type
masterThesis
Publisher Version
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TID
204057736
Designation
Mestrado em Direito, Ciências Jurídicas