A inegociabilidade do direito à licença parental em caso de adoção tardia à luz da dignidade humana
Date
2025-05-21
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Portuguese
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O presente trabalho tem como escopo apontar porque a licença parental é
essencial ao sucesso de uma Adoção tardia. A adoção é uma forma de inserção artificial
de uma pessoa dentro de um contexto familiar já existente, conferindo a ele a condição
de filho em todos os aspectos jurídicos decorrentes deste fato. Sendo assim, abarca a
esfera de direitos e garantias previstos em todo o arcabouço jurídico sobre filiação. Dentro
deste contexto, temos a previsão de garantia de igualdade de condições entre os filhos,
independentemente de sua origem. E não há que se falar em família, se não houver
possibilidade de convivência entre seus membros. A convivência familiar é garantida
constitucionalmente a todo infante, devendo ser o objetivo primordial do Estado e da
sociedade o que foi tratado no presente trabalho. Como forma de materialização deste
direito a convivência familiar, desde a promulgação das últimas cartas constitucionais
portuguesa e brasileira, tivemos a previsão expressa da licença maternidade. Todavia, o
sentido inicial desta licença a restringia a direito conferido a mãe, de ter garantido que se
afastasse de sua atividade laborativa, mantendo-se a sua remuneração. Embora
representasse um avanço significativo na formalização de melhores condições de vida,
dentro de uma nova formação social, o olhar era restrito a relação familiar consanguínea.
Tratava de licença decorrente não do surgimento de relações de maternidade e
paternidade, mas tão somente do nascimento biológico de um filho, tendo o parto como
acontecimento central, e os cuidados decorrentes deste. Assim, embora, na teoria, já
houvesse previsão constitucional de igualdade entre filhos, as inconsistências eram
gerais, dentro do olhar restrito de maternidade e paternidade. A partir das novas
perspectivas sociais, cristalizados em tratados internacionais, os infantes passaram a ser
o centro de proteção, restando aquela visão limitante de maternidade, e consequentemente
da licença maternidade ultrapassadas. O princípio da proteção integral da criança e do
adolescente os colocaram como os protagonistas sociais. Neste viés, tratamos da
necessidade de conferir esse mesmo direito aos filhos que acabaram de ingressar numa
nova família, de modo artificial, viabilizando, assim, a formação de laços de afeto e amor.
Na adoção tardia, estamos diante de indivíduos com um passado marcado por traumas,
violências, abandonos e rupturas drásticas de vínculos. Por esta razão, precisam ainda
mais da disponibilidade de seus novos genitores, sejam mães ou pais, para que possam se
recompor como ser humano, restabelecendo, assim, a sua dignidade. Este é, portanto, o
motivo pelo qual a licença parental, nesses casos, é imprescindível e inegociável.
Keywords
Adoção tardia, convivência familiar, Licença parental, dignidade.
Document Type
masterThesis
Publisher Version
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Identifiers
TID
203955633
Designation
Mestrado em Direito, Ciências Jurídicas