Arquitetura e permanência. A ruína ativa como estratégia de regeneração territorial no Vale do Trancão

dc.contributor.advisorLobo, Inês Varela Maia
dc.contributor.advisorCarneiro, Marta Sequeira
dc.contributor.authorAnastácio, Constança Teixeira
dc.date.accessioned2026-01-30T10:46:28Z
dc.date.available2026-01-30T10:46:28Z
dc.date.issued2026-01-23
dc.description.abstract4 Num momento em que a arquitetura é reiteradamente convocada a dissolver-se em modelos de uso transitório, adaptabilidade ilimitada e indeterminação programática, torna-se necessário reexaminar as suas condições de permanência, resistência e inscrição cultural. Esta investigação inscreve-se nessa viragem crítica, propondo uma revalorização da forma enquanto construção disciplinar enraizada, cuja capacidade de transformação reside não na neutralidade e transitoriedade, mas na inteligibilidade e solidez da sua estrutura. A história da arquitetura revela que a relação entre forma e função nunca foi linear. Desde os tratados clássicos até à formulação moderna da tipologia como instrumento operativo, a forma foi compreendida como um dispositivo capaz de suportar o tempo — acolhendo transformações, sim, mas sem colapsar enquanto sistema. No entanto, as leituras mais obtusas do Movimento Moderno impuseram uma inversão dogmática: a função passou a ser matriz exclusiva, e a forma reduzida a consequência técnica, economicamente justificada. Esta operação esvaziou o projeto da sua dimensão simbólica e duradoura, relegando-o à condição de instrumento. No pós-guerra, vários arquitetos e teóricos reabilitaram criticamente a tipologia, reconhecendo-lhe a capacidade de gerar estruturas abertas sem abdicar da coerência disciplinar. Ainda assim, a cultura arquitetónica recente inverte, mais uma vez, os termos do debate. Em nome de uma liberdade funcional absoluta, certas leituras contemporâneas absolutizam a autonomia formal e promovem a abstração espacial como solução universal. O espaço torna-se indiferente, o território invisível, o edifício um gesto formal. Esta investigação defende a hipótese oposta: são precisamente as arquiteturas que nascem de um programa e sítio específicos — e os resolvem com clareza — que melhor resistem à transformação. Conventos convertidos em universidades, palácios tornados sedes públicas: todos mostram que a adaptabilidade resulta da densidade e legibilidade formal, não da ausência de um programa e lugar específicos à partida. É neste quadro que se propõe o conceito de ruína ativa, entendido não como evocação melancólica, mas como estrutura predisposta à apropriação. A ruína ativa é uma arquitetura inaugural, formalmente clara, culturalmente situada e tecnicamente consciente da sua condição territorial. O caso de estudo — o vale do rio Trancão — permite articular esta reflexão com um contexto material concreto. Num território agrícola marginalizado por processos fragmentários de urbanização, propõe-se um sistema arquitetónico que reinscreve lógicas produtivas esquecidas. A reintrodução da agricultura no espaço urbano não é, neste caso, um gesto nostálgico, mas uma infraestratégia crítica — simultaneamente ecológica, económica e cultural.
dc.identifier.tid204212081
dc.identifier.urihttps://hdl.handle.net/11144/7735
dc.language.isopor
dc.subjectPaisagem
dc.subjectMemória coletiva
dc.subjectEspaço público
dc.subjectPercurso
dc.titleArquitetura e permanência. A ruína ativa como estratégia de regeneração territorial no Vale do Trancão
dc.typemasterThesis
thesis.degree.nameDissertação de Mestrado Arquitectura

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