Itinerário descontínuo. Ensaio visual a partir de cinco entrevistas
Date
2026
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Portuguese
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Abstract
Não posso, com as fotografias, responder à questão do que é uma cidade, nem sobre
como é fundamental a presença da Natureza em espaço urbano, ou a forma como o
espaço público é um lugar de encontro e possibilidades entre os seus habitantes. Em
reação ao desafio de entrelaçar fotografias e respostas de pensadores do espaço e
formas de nele intervir, faço uma viagem imaginária pelo meu arquivo fotográfico.
É como se estivesse no terreno, a subir uma montanha. Chego ao topo e olho a
paisagem. Defino um itinerário de descida. Nesse movimento percorro toda a história
do povoamento humano da Terra. Numa visão célere, atravesso longos períodos de
tempo. Fotografias como fragmentos de lugares de períodos díspares. Caminhos que
atravessam serras e vales, espaços arqueológicos, arquiteturas de pedra, o sentimento
de uma vertiginosa aceleração que nos é evidenciada por uma via férrea ou um viaduto.
Atravessamos as maiores cidades.
A linearidade que buscamos para compreender a metamorfose e a evolução do mundo
ao nosso redor, pode ser quebrada por uma leitura mais atenta da realidade. As próprias
fotografias revelam tensões existentes na materialidade dos lugares. Nada é
absolutamente contínuo. Linhas de tempo e de espaço cruzam-se de modo, não raras
vezes, aleatório.
Keywords
fotografia, cidade, natureza
Document Type
Journal article